Cirurgia Geral

Alergia alimentar atinge 1 em cada 20 crianças; estudo aponta fatores de risco

Revisão com 2,8 milhões de crianças em 40 países reforça o peso do eczema no bebê, do uso muito cedo de antibióticos e do atraso na introdução de alimentos como amendoim.

Por Redação Brazil Health , 10/06/2026

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Alergia alimentar atinge 1 em cada 20 crianças; estudo aponta fatores de risco

Uma das maiores análises já feitas sobre alergia alimentar na infância estimou que a condição afeta, em média, 4,7% das crianças no mundo – o equivalente a 1 em cada 20. O resultado vem de uma revisão sistemática e meta-análise publicada no JAMA Pediatrics, que reuniu 190 estudos com cerca de 2,8 milhões de participantes de 40 países.

A estimativa considera apenas casos confirmados por teste de provocação oral, método usado para verificar se o alimento realmente desencadeia reação. Para a pediatra Anna Dominguez Bohn, isso torna o dado mais confiável: “esse é um dado especialmente relevante porque se baseia apenas em diagnósticos confirmados por teste de provocação, o que aumenta a precisão da estimativa na infância”.

Eczema no primeiro ano aparece como principal sinal de alerta

Entre os fatores associados a maior risco, o destaque foi a dermatite atópica (eczema) no primeiro ano de vida. Segundo o levantamento, crianças com essa condição tiveram aumento importante do risco absoluto de desenvolver alergia alimentar.

“A dermatite atópica no primeiro ano de vida aparece como um dos principais marcadores de risco, indicando uma associação forte com o desenvolvimento posterior de alergia alimentar”, afirma Bohn.

Uso precoce de antibióticos e introdução tardia de alergênicos

Outro ponto observado foi a exposição a antibióticos muito cedo. Crianças que usaram esses medicamentos no primeiro mês de vida apresentaram maior probabilidade de desenvolver alergia alimentar, segundo os estudos incluídos na análise.

“Esse achado reforça a importância de cautela no uso de antibióticos nos primeiros meses de vida, quando o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento”, diz a pediatra.

A revisão também encontrou associação entre atraso na introdução de alimentos alergênicos e maior ocorrência de alergia alimentar. A introdução do amendoim após os 12 meses, por exemplo, apareceu ligada a maior probabilidade do problema quando comparada à oferta mais cedo, no período adequado.

“Os dados reforçam que a introdução adequada e oportuna de alimentos alergênicos deve ser encorajada, e não postergada, como estratégia potencial de prevenção”, afirma Bohn.

Histórico familiar também pesa no risco

O histórico de alergias na família foi outro fator associado: ter pai, mãe ou irmão com alergias aumentou a chance de a criança desenvolver alergia alimentar, com variações conforme o familiar afetado. A revisão ainda aponta associações com rinite alérgica e chiado no peito, além de um aumento discreto relacionado ao parto cesáreo.

Para a pediatra, os achados reforçam que não existe uma única causa para o problema. “A alergia alimentar não é causada por um único fator, mas sim por uma combinação de predisposição genética, alterações da barreira da pele, microbiota intestinal e exposições ambientais”, diz.

Na prática, os resultados reforçam a necessidade de identificar precocemente crianças com maior risco – especialmente aquelas com eczema no início da vida e histórico familiar de alergias – e de seguir recomendações baseadas em evidências para a introdução alimentar na primeira infância.