Quando a prótese peniana é a alternativa mais adequada à disfunção erétil
Por Redação Brazil Health , 30/06/2026
6 min de leitura
O urologista Dr. Paulo Barreto explica por que o comprimido pode parar de fazer efeito e em que momento a prótese peniana torna-se a alternativa mais segura e confiável para retomar a vida sexual.
Muitos homens chegam ao consultório com uma história parecida: anos tomando medicação, talvez algumas tentativas com injeções e a sensação de que não restam alternativas. Para boa parte desse grupo, existe uma solução definitiva que nunca foi apresentada de forma clara.
A disfunção erétil afeta cerca de 322 milhões de homens no mundo e, no Brasil, mais da metade dos homens acima dos 40 anos já enfrentou dificuldades para manter uma ereção. Para quem tem diabetes ou doença cardiovascular, o problema costuma ser mais resistente do que para outras pessoas.
A razão é fisiológica e tem solução.
Por que os medicamentos falham em diabéticos e cardíacos
Medicamentos como sildenafila e tadalafila precisam de vasos sanguíneos e nervos funcionais para agir. No paciente diabético, a microangiopatia e a neuropatia periférica danificam progressivamente exatamente essas estruturas.
Quando o dano atinge certo grau, o comprimido não consegue provocar a resposta esperada, já que o organismo não tem mais condição de responder ao estímulo medicamentoso.
Em pacientes com doenças cardiovasculares ou hipertensão de difícil controle, o cenário é semelhante, e alguns desses medicamentos são, inclusive, contraindicados por interação com os fármacos cardíacos já em uso.
Quando os comprimidos falham, a etapa seguinte costuma ser as injeções intracavernosas de alprostadil, que funcionam em parte dos casos, mas são abandonadas por cerca de metade dos pacientes ao final de um ano, pela dor e pelo incômodo que o uso regular implica. A bomba de vácuo é outra alternativa disponível, com resultados variáveis. Para muitos, nenhuma dessas opções se sustenta no cotidiano.
É nesse ponto que a prótese peniana entra.
Como funciona a prótese e o que esperar da cirurgia
A prótese peniana é um dispositivo implantado cirurgicamente dentro dos corpos cavernosos do pênis, que provê rigidez mecânica independentemente da resposta vascular — o mecanismo que o diabetes e as doenças cardíacas comprometem. O resultado é uma ereção sob demanda, com rigidez adequada para a atividade sexual.
Os dois modelos em uso diferem no funcionamento. A prótese maleável mantém o pênis com rigidez permanente, porém maleável o suficiente para um posicionamento discreto no dia a dia. A prótese inflável de três volumes permite ao paciente acionar uma pequena bomba implantada no escroto para obter a ereção e desfazê-la quando necessário. O dispositivo é completamente interno, sem nenhuma parte visível externamente.
O procedimento é realizado em centro cirúrgico, com anestesia geral ou raquidiana, dura entre 60 e 90 minutos e exige internação de 24 a 48 horas. Para pacientes diabéticos, o controle glicêmico antes da cirurgia é determinante para a segurança do procedimento. A liberação para atividade sexual ocorre, habitualmente, na sexta semana de pós-operatório.
Os índices de satisfação estão entre os mais altos da urologia, com estudos de longo prazo apontando satisfação entre 75% e 100%. Vale registrar que a satisfação é ainda maior em pacientes com doenças cardiovasculares ou neurológicas, o perfil exato de quem mais frequentemente chega a essa indicação. A prótese não altera sensibilidade, orgasmo nem ejaculação. O que ela restaura é a rigidez.
Quando procurar um urologista
Se os medicamentos orais não estão mais respondendo, ou se nunca funcionaram adequadamente por conta do diabetes ou do coração, a avaliação com um urologista especializado em disfunção erétil é o passo seguinte. A conversa sobre prótese peniana raramente acontece espontaneamente no consultório. Em muitos casos, é o paciente que precisa trazê-la; em outros, cabe ao médico abordar o tema com naturalidade.
Quanto mais cedo essa conversa acontece, melhores as condições clínicas para o procedimento. O tecido dos corpos cavernosos se deteriora com o tempo de ausência de ereções, algo que pode complicar cirurgias futuras e comprometer resultados. Não há razão para esperar.
Dr. Paulo Barreto - CRM-SP 164.303 RQE 84.760
Urologista especializado em Urologia Reconstrutiva e Protética pela University of Chicago (USA)
Referências
Projeção global de 322 milhões de homens com disfunção erétil até 2025 Aytaç IA, McKinlay JB, Krane RJ. The likely worldwide increase in erectile dysfunction between 1995 and 2025 and some possible policy consequences. BJU International. 1999;84:50–6.
Dado brasileiro: 61,49% dos homens com disfunção erétil, idade média de 48 anos, estudo com 1.902 pacientes Dr. Paulo Egydio. Panorama da Disfunção Erétil no Brasil: Causas e Tratamentos. Relatório clínico, 2025.
Dado da Sociedade Brasileira de Urologia: mais da metade dos homens acima dos 40 anos com disfunção erétil. Apenas 34% dos homens procuram urologista diante de sintomas, aponta pesquisa. 2025.
Dado do Ministério da Saúde via CNN Brasil: procedimentos para disfunção erétil no SUS quase dobraram, de 1.015 em 2019 para 1.847 em 2024, aumento de 82% CNN Brasil. Disfunção erétil deixou de ser tabu? SUS apresenta aumento no tratamento. Setembro 2025.
Fonte complementar com os números exatos confirmados pelo Estadão.
Satisfação com prótese peniana entre 75% e 100% em estudos de longo prazo Trost LW, et al. Long-term outcomes of penile prostheses for the treatment of erectile dysfunction. Expert Review of Medical Devices. 2013;10(3):353–66.
Meta-análise: satisfação geral de 83% em 12.132 pacientes, com satisfação maior em doença cardiovascular e neurológica Corona G, et al. Long-term penile prosthesis couple's satisfaction: A systematic review and meta-analysis. Andrology. 2024.
Sobrevida do dispositivo: 87,2% em 5 anos, 76,8% em 10 anos, 63,7% em 15 anos — meta-análise com 20.161 pacientes Capogrosso P, et al. Long-Term Survival Rates of Inflatable Penile Prostheses: Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Urology. 2022.
Sobrevida de 86,7% em 5 anos e 77,5% em 10 anos em acompanhamento de 27 anos com 426 pacientes Moncada I, et al. Excellent long-term device survival of inflatable penile prosthesis over 27 years. Asian Journal of Andrology. 2025.
Eficácia e segurança da prótese peniana inflável em diabéticos, falha mecânica caindo de 62% para 5–15%, risco de infecção de 3% em diabéticos na primeira cirurgia vs. 1,8% na população geral Arap MA, Rocha FET, de Góes PM, Lucon AM, Arap S. Eficácia e Segurança da Prótese Peniana Inflável no Tratamento de Disfunção Erétil em Pacientes Diabéticos. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia. 2000;44(6):493–6. Hospital das Clínicas, FMUSP.
Indicação clínica, tipos de prótese, técnica cirúrgica e complicações Jardim CRF. Prótese Peniana. Revista Brasileira de Sexualidade Humana.
Risco de infecção em diabéticos e fatores predisponentes Wilson SK, Delk JR II. Inflatable penile implant infection: predisposing factors and treatment suggestions. Journal of Urology. 1995;153:659–61. Citado em Arap et al., 2000.
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