Psicologia

Os Impactos Negativos da Solidão

A solidão afeta pessoas de todas as idades, impactando relações e saúde, e reflete desafios sociais que exigem atenção do poder público, das famílias e de toda a sociedade.

Por Dra. Dorli Kamkhagi , 03/07/2025

4 min de leitura

Os Impactos Negativos da Solidão

Os diferentes estudos apontam para uma preocupação que passou a fazer parte das inquietações governamentais: a questão da solidão. Embora este tema sempre fizesse parte de uma problematização da psicologia e psiquiatria, ligado às questões psicológicas, emocionais e comportamentais, os estudos e exames mais aprofundados nos revelam dados que necessitam de maiores investigações, pois parecem muito preocupantes.

A solidão passou a ser vista como uma condição grave, em que a pessoa se afasta social, físico e emocional, o que pode levar a vários quadros graves. O indivíduo vai deixando de ter contato e uma ligação mais forte com as pessoas que faziam parte do seu entorno familiar e social. Muitas vezes, este sintoma é gerado por uma forte depressão, que leva a pessoa a se afastar cada vez mais de todos os vínculos.

Alguns estudos nos mostram o quanto a solidão não é algo que ocorre somente em adultos. Nas crianças, o isolamento pode levar a dificuldades de aprendizagem juntamente com falta de amizades escolares. São inúmeros os fatores que fazem com que as crianças não consigam ter uma socialização maior e que merecem ser cuidadosamente observados por profissionais das áreas de saúde mental.

Na adolescência, é natural que o jovem busque momentos de isolamento como parte do processo de transformação dessa fase, conquistando aos poucos sua autonomia e seu espaço na família e no mundo. No entanto, há uma linha tênue entre um afastamento saudável e um mergulho excessivo no universo virtual. Muitos adolescentes, mesmo cercados de amigos, vivenciam um profundo sentimento de solidão, especialmente quando enfrentam períodos de vulnerabilidade que exigem a atenção e o cuidado dos pais. Essas mudanças abruptas podem estar relacionadas a fatores de risco, como o uso de drogas e outras substâncias, tornando essencial a observação atenta de pais e cuidadores. Além dos adolescentes, as crianças também necessitam de um acompanhamento psicoterapêutico, que as auxilie a construir uma percepção mais saudável de si mesmas e do mundo ao seu redor.

Nos adultos, são inúmeros os fatores que podem levar a estados de isolamento. Muitas vezes existe uma autocobrança enorme entre o que gostaríamos de ser e aquilo que realmente conseguimos ser. Os quadros anteriores de depressão e outras síndromes (angústias, fobias, medos) podem se acentuar devido a situações pontuais como a perda de trabalho, o que leva muitas pessoas ao afastamento social. O término de um relacionamento ou a entrada da velhice podem ser fatores desencadeantes para que um indivíduo não se sinta com forças para enfrentar o seu entorno social. A aposentadoria, o medo da morte, o medo da perda de bens financeiros e a saída dos filhos de casa, todos estes e outros fatores podem levar a desenvolver mecanismos de afastamento.

As autoridades de vários países se deram conta de quão difícil e perigoso é a solidão, principalmente nos idosos, que acabam cometendo um número altíssimo de suicídios. A sociedade precisa pensar na necessidade de um olhar mais próximo e cuidadoso para aqueles que não estão mais aptos a conviver em grupos e acabam por buscar um isolamento.

Podemos pensar que esta solidão também pode ser um sintoma de uma sociedade adoecida, que exige altos padrões para todos. Estes países que criaram o ministério da solidão, como o Japão, que tem uma grande população longeva, buscam conscientizar a população a uma educação voltada para a integração da comunidade, alertando sobre os problemas do isolamento e conscientizando sobre como práticas que envolvem a sociedade podem reintegrar e tornar o país menos doente.

Aqui no Brasil já existe uma grande preocupação com o isolamento e o impacto deste “adoecer social”. É necessário um olhar abrangente que envolva a família, a sociedade e os recursos terapêuticos e psiquiátricos, assim como todas as formas integrativas nesta luta. Afinal, solidão é diferente de solitude: que significa momentos que escolhemos ficar com a nossa companhia, desfrutando de um silêncio e de uma música.