Pediatria

Deficiência de Micronutrientes na Infância: Um Desafio Que Vai Além da Renda Familiar

Muitas crianças brasileiras enfrentam falta de vitaminas e minerais essenciais, mesmo com acesso a diferentes alimentos, o que pode prejudicar o desenvolvimento saudável.

Por Dr. Alessandro Danesi , 30/07/2025

3 min de leitura

Deficiência de Micronutrientes na Infância: Um Desafio Que Vai Além da Renda Familiar

Mesmo com acesso à alimentação variada, muitas crianças no Brasil apresentam carência de minerais e vitaminas essenciais ao crescimento e à saúde

Dados recentes evidenciam que a maioria das crianças brasileiras apresenta deficiência de micronutrientes — como vitaminas e minerais —, comprometendo funções fundamentais do organismo. O mais surpreendente é que esse quadro afeta tanto crianças em situação socioeconômica vulnerável quanto aquelas com acesso a uma dieta teoricamente saudável. A causa, muitas vezes, está relacionada à seletividade alimentar e aos hábitos inadequados das famílias.

Micronutrientes essenciais e suas repercussões clínicas

A seguir, uma breve correlação entre a deficiência de alguns nutrientes e seus impactos na saúde da criança:

Ferro – A carência de ferro (anemia ferropriva) ainda é a principal causa de anemia no Brasil. Leva à fadiga, letargia, menor resistência a infecções, dificuldade de aprendizagem e prejuízo cognitivo. Principais fontes: carne vermelha, frango, peixe, leguminosas. O Ministério da Saúde recomenda a suplementação de ferro dos 6 aos 24 meses de idade.

Cálcio – Fundamental para dentes e ossos fortes, sua deficiência pode prejudicar o crescimento e aumentar o risco de osteoporose no futuro. Principal fonte: leite e derivados.

Zinco – Essencial para o sistema imunológico e o crescimento. A carência aumenta o risco de infecções e pode afetar o desenvolvimento físico. Fontes: carnes vermelhas, peixe, frango, ovos, leguminosas e castanhas.

Vitaminas – Essenciais para o funcionamento de órgãos como cérebro, olhos e ossos, além de contribuírem com a imunidade e o crescimento. A deficiência pode causar irritabilidade, queda de cabelo e fadiga. Apenas uma dieta variada, com diferentes grupos alimentares, é capaz de fornecer todas as vitaminas necessárias.

Estratégias para melhorar a alimentação infantil

Oferecer uma dieta saudável nem sempre é simples, pois muitas crianças apresentam recusa sistemática a determinados alimentos. Algumas estratégias recomendadas incluem:

  • Apresentar pratos visualmente atrativos, com diferentes cores, texturas e formatos
  • Dar o exemplo: crianças tendem a imitar os hábitos alimentares da família
  • Manter a regularidade: apresentar o prato ideal diariamente aumenta a aceitação com o tempo
  • Não substituir refeições recusadas por opções mais palatáveis
  • Evitar manter em casa alimentos ultraprocessados, refrigerantes e doces — esses itens devem ser consumidos, se for o caso, apenas em ocasiões especiais

Quando a suplementação se torna necessária

Mesmo seguindo essas orientações, algumas crianças continuam com ingestão inadequada. Nesses casos, duas situações se destacam:

  • Crianças altamente seletivas – Necessitam de acompanhamento multidisciplinar com pediatra, nutricionista e fonoaudióloga especializada.
  • Carência específica de grupos alimentares – Requerem, temporariamente, suplementação com multivitamínicos e minerais enquanto a alimentação é corrigida. Há produtos disponíveis que oferecem ampla variedade de micronutrientes.

A prescrição desses suplementos deve ser feita por um pediatra, possivelmente em colaboração com um nutricionista, com base em avaliação clínica detalhada e exame físico. A reposição adequada de micronutrientes, sempre que indicada, é essencial para garantir uma infância saudável e contribuir com o desenvolvimento físico e cognitivo da criança.