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O excesso de informação está atrapalhando a formação médica no Brasil?

Com pesquisas e conteúdos se multiplicando em ritmo acelerado, o diretor Fabio Miyagawa explica como isso afeta estudantes de medicina e o que pode ajudar a filtrar o que realmente importa na prática clínica.

Por Redação Brazil Health , 16/06/2026

4 min de leitura

O excesso de informação está atrapalhando a formação médica no Brasil?

O crescimento acelerado da produção científica em saúde, associado à expansão da IA generativa, tem alterado a dinâmica da formação médica no Brasil. Com o volume de conhecimento clínico dobrando a cada 73 dias, identificar informações de qualidade tem se tornado um desafio, impactando diretamente a capacidade de tomada de decisão, como apontam dados da pesquisa Challenges and Opportunities Facing Medical Education.

Paradoxo do excesso de informação

Apesar do livre acesso a bases de conhecimento, os estudantes têm lidado com excesso de informação, nem sempre filtrada ou adequada à prática, o que pode impactar a aplicação de seus conhecimentos em cenários clínicos. Nesse contexto, a educação digital influencia diretamente a nova geração de médicos recém-formados, gerando uma preocupação relacionada ao nível de qualidade desses profissionais para 95,1% das instituições, de acordo com a pesquisa realizada pela Wolters Kluwer em parceria com a ANAHP.

Historicamente, o curso de medicina exigia dos estudantes a memorização de um grande volume de conteúdo em pouco tempo, o que reduzia o espaço para compreensão e retenção efetiva do conhecimento. Com a chegada das ferramentas digitais e a multiplicação de fontes clínicas disponíveis, o estudante passou a lidar também com a dificuldade de identificar quais informações e recursos merecem mais atenção, o que pode aumentar a complexidade do processo de aprendizagem.

Este cenário é um reflexo da transformação digital, que vem adaptando o ensino médico e o perfil do profissional da área da saúde. O avanço das tecnologias e a alta oferta de conteúdo permitiram que os discentes moldassem seus estudos de acordo com a crescente base de pesquisa e as ferramentas disponíveis.

Essa adaptação pode prejudicar o desempenho acadêmico, visto que 33,3% das 72 instituições de ensino respondentes da pesquisa Desafios e abordagens para a formação médica em tempos de saúde digital no Brasil afirmam que os estudantes possuem alto nível de conhecimento tecnológico, enquanto apenas 19,4% dos professores estão totalmente preparados para utilizar ferramentas digitais e metodologias modernas no ensino.

Ainda que soluções tecnológicas possam auxiliar na seleção e organização do conhecimento, o excesso de informação sem instrução é um problema recorrente e pode ser prejudicial para a formação. A mesma pesquisa aponta que 70,8% dos estudantes de medicina sofrem com sobrecarga de conteúdo teórico e 36,1% têm dificuldade de acompanhar a literatura médica.

Perspectivas do ensino médico

Embora o contexto atual apresente gargalos, o ensino médico no Brasil apresenta grande potencial qualitativo, visto que 50% das instituições promovem a Medicina Baseada em Evidências (MBE) como prática padrão e 72,2% oferecem acesso a ferramentas de suporte à decisão (SDC), mitigando o impacto de possíveis inconsistências na literatura médica e seguindo as melhores diretrizes disponíveis.

Atrelado ao excesso de informação e à complexidade no gerenciamento de conteúdo, os estudantes e médicos recém-formados vêm apresentando dificuldades para aplicar o conhecimento em cenários práticos e na tomada de decisões rápidas e baseadas em evidências. Os avanços informacionais e tecnológicos têm ocorrido em ritmo exponencial, tornando desafiador para especialistas acompanharem todas as alterações e demandas.

Por isso, os estudantes, posicionados no início dessa cadeia de transformação, enfrentam obstáculos para se adaptar aos padrões e às novas metodologias do ensino moderno, que exigem constante atualização, domínio de novas ferramentas e maior capacidade de aprendizagem contínua.

Considerando esse cenário, a aplicação de ferramentas digitais, como SDC, aliada ao uso da Medicina Baseada em Evidências (MBE) é fundamental para ajudar o aluno a navegar melhor neste cenário de excesso de informações e consolidar uma base confiável de conhecimento científico.

Caminhos para filtrar o que importa

Essa abordagem contribui para otimizar a tomada de decisão de estudantes e profissionais da saúde, mitigar os desafios decorrentes da expansão acelerada do conhecimento e ajudá-los a encontrar conhecimento clínico baseado em evidências, com qualidade. Além disso, pode favorecer seu desenvolvimento e simplificar a compreensão e a aplicação prática do conhecimento.

Fabio Miyagawa

Diretor de Marketing da Wolters Kluwer Health no Brasil.