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Excesso de telas na infância: riscos, sinais de alerta e limites por idade

Uso exagerado de celulares, tablets e TVs atrapalha sono, atenção e convivência; especialistas recomendam limites por idade e supervisão de adultos.

Por Redação Brazil Health , 14/11/2025

3 min de leitura

Excesso de telas na infância: riscos, sinais de alerta e limites por idade

É cada vez mais comum vermos crianças, cada vez menores, expostas às telas. Além disso, o tempo de uso tem aumentado. Estudos mostram associação entre o excesso de telas e dificuldades de atenção, sono e desempenho escolar.

Mais do que distração: efeitos na criatividade e no convívio

Logo, é fundamental observar não só esses riscos, mas também a redução da criatividade, das habilidades sociais e o risco de dependência em crianças que passam muito tempo consumindo conteúdo digital sem supervisão.

Impactos no sono, memória e emoções

O cérebro infantil tem cerca de 95% da sua estrutura formada entre 0 e 6 anos, fase de pleno desenvolvimento. O uso constante pode prejudicar o sono, pois a luz azul das telas interfere na produção de melatonina, o hormônio do sono. Isso afeta memória, aprendizagem e desenvolvimento emocional.

Ciclo de dependência e perda de foco

O excesso também pode provocar uma liberação exagerada de dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer. Ao usar o celular por muito tempo, a criança recebe recompensas rápidas e fáceis — como curtidas ou vídeos curtos —, criando um ciclo de dependência. Isso reduz a tolerância ao tédio e dificulta o engajamento em tarefas que exigem esforço mental, como leitura ou resolução de problemas.

Outros efeitos do uso excessivo incluem: dificuldade de atenção e concentração; menor motivação para atividades fora das telas, como brincar, conversar ou ler; e déficits nas habilidades sociais e emocionais.

Veja alguns indícios de prejuízo pelo excesso de telas aos quais pais e professores devem ficar atentos: irritabilidade ou agitação ao ser afastada das telas; desinteresse por brincadeiras presenciais ou leitura; dificuldade de concentração nas atividades escolares; e redução da linguagem espontânea e das interações sociais. Se esses sinais persistirem, é recomendável avaliar a rotina digital da criança e buscar orientação de um profissional da área da saúde ou da educação.

Segundo a Academia Americana de Pediatria (AAP), o tempo de tela adequado varia conforme a idade: de 0 a 2 anos, deve-se evitar, exceto em chamadas de vídeo com familiares; de 2 a 5 anos, o limite é de até 1 hora diária, priorizando conteúdos educativos e com acompanhamento de um adulto; para as maiores, o uso deve ser equilibrado com bom sono, atividade física, brincadeiras livres e momentos em família.

Além de mediar o uso das tecnologias, é importante oferecer estímulos que favoreçam o neurodesenvolvimento infantil de forma ampla. Atividades como desenhar, escrever e explorar o ambiente contribuem para aprimorar a coordenação motora e a cognição.

É fundamental que pais, educadores e profissionais de saúde estejam atentos a esses efeitos e adotem estratégias para garantir um uso equilibrado e saudável das tecnologias. Lembre-se: as tecnologias não são inimigas, mas devem ser usadas com moderação, respeitando a idade das crianças.

Luciana Brites - Psicopedagoga

CEO do Instituto NeuroSaber, psicomotricista, mestra e doutoranda em distúrbios do desenvolvimento.