Otorrinolaringologia

Barulho Demais: Como Proteger os Ouvidos da Perda Auditiva por Excesso de Ruído

Exposição prolongada a sons intensos pode causar danos irreversíveis aos ouvidos. Descubra atitudes simples para manter a saúde auditiva mesmo em ambientes barulhentos.

Por Dr. Fernando Balsalobre , 22/10/2025

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Barulho Demais: Como Proteger os Ouvidos da Perda Auditiva por Excesso de Ruído

Como otorrinolaringologista, é comum receber pacientes que chegam ao consultório já apresentando sinais de perda auditiva. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas, com idades entre 12 e 35 anos, correm o risco de perder a audição devido à exposição prolongada a sons recreativos em volume elevado. Ambientes como academias com música alta, aulas de spinning, treinos de crossfit, casas noturnas e shows são exemplos que facilmente ultrapassam o limite considerado seguro. Tanto a OMS quanto o NIOSH (Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos EUA) recomendam uma exposição máxima de até 85 decibéis por um período de até oito horas; no entanto, a cada aumento de 3 decibéis, o tempo seguro de exposição é reduzido pela metade. Isso significa que, em um show que atinge 100 decibéis, a lesão auditiva pode começar após apenas 15 minutos de exposição contínua.

Cuidados com o uso de fones de ouvido

Outro ponto de atenção é o uso de fones de ouvido, hábito que se tornou rotina, sobretudo entre os mais jovens. Quando utilizados em volumes elevados e por períodos prolongados, podem causar danos progressivos às células ciliadas da cóclea, responsáveis por captar os sons. Essas células não se regeneram: uma vez lesionadas, a perda auditiva é definitiva. Os sintomas mais comuns incluem zumbido constante, dificuldade para entender conversas em ambientes barulhentos e, em alguns casos, até isolamento social. Para minimizar esse risco, recomenda-se a chamada regra 60/60: ouvir música em até 60% do volume máximo por, no máximo, 60 minutos seguidos, sempre intercalando com períodos de descanso auditivo.

Medidas de prevenção e hábitos saudáveis

A boa notícia é que a prevenção é possível e, muitas vezes, simples. O uso de protetores auriculares em shows, baladas e até em academias muito barulhentas pode fazer grande diferença. Existem aplicativos que permitem medir a intensidade do som no ambiente, ajudando a identificar quando os níveis de ruído ultrapassam o limite seguro. Consultas periódicas com o otorrinolaringologista, acompanhadas de exames de audiometria, também são essenciais para monitorar a saúde auditiva, principalmente em pessoas expostas com frequência a ambientes ruidosos. Além disso, sinais como zumbido, sensação de ouvido tampado ou dificuldade para compreender conversas não devem ser ignorados, pois podem indicar dano auditivo em estágio inicial.

Cuidar da audição é investir em qualidade de vida. Pequenas mudanças de hábito têm o poder de evitar uma perda que, na maioria das vezes, não pode ser revertida. A orientação é não esperar os sintomas aparecerem: a prevenção continua sendo o melhor caminho.

Dr. Fernando Balsalobre - CRM 150700 RQE 68586

Otorrinolaringologista e Otologista pela USP e Coordenador do Comitê de Comunicação da ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial).