Ortopedia e Traumatologia

Ligamento do joelho rompido: novo tratamento promete menos dor e volta mais rápida

Novas técnicas cirúrgicas e abordagens mais personalizadas estão transformando o cuidado com o LCA, especialmente em atletas e pessoas fisicamente ativas.

Por Dra. Camila Cohen Kaleka , 09/03/2026

4 min de leitura

Ligamento do joelho rompido: novo tratamento promete menos dor e volta mais rápida

A lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) é uma das mais temidas entre praticantes de atividades físicas e atletas. Localizado no centro do joelho, esse ligamento é fundamental para a estabilidade, especialmente em movimentos de giro, salto e mudança rápida de direção. Durante muitos anos, o tratamento seguiu um caminho quase único: a reconstrução cirúrgica com enxerto. Hoje, esse cenário começa a mudar.

Personalização e preservação ganham força

Avanços científicos e técnicos vêm permitindo uma abordagem mais individualizada, que considera o tipo da lesão, o perfil do paciente e seus objetivos funcionais. Em alguns casos selecionados, a medicina já discute até mesmo a possibilidade de preservar o ligamento original, algo que até pouco tempo atrás era impensável.

Uma das grandes novidades é o retorno do conceito de reparo do LCA, em situações muito específicas. Em rupturas localizadas próximas à inserção do ligamento e com boa qualidade do tecido, técnicas modernas permitem estimular a cicatrização do próprio ligamento, associando suporte mecânico e biológico. Estudos recentes mostram que, quando bem indicadas, essas abordagens podem alcançar resultados funcionais semelhantes aos da reconstrução tradicional, embora ainda não sejam aplicáveis à maioria dos pacientes.

Reconstrução mais moderna e enxertos sob medida

Quando a reconstrução continua sendo a melhor opção, a forma de realizá-la também evoluiu. Um dos destaques atuais é o uso do tendão do quadríceps como enxerto. Ele vem ganhando espaço por apresentar resultados comparáveis aos dos enxertos mais tradicionais, como os tendões isquiotibiais e o tendão patelar, com a vantagem potencial de menor dor no local da retirada e boa resistência biomecânica. A escolha do enxerto, hoje, é cada vez mais personalizada.

Mais proteção e estabilidade no retorno ao esporte

Outra mudança importante está na atenção à instabilidade rotacional do joelho. Em pacientes jovens, atletas ou com alto risco de nova lesão, a reconstrução do LCA pode ser associada a um reforço lateral extra-articular, técnica que ajuda a controlar melhor os movimentos de rotação. Evidências recentes sugerem que essa associação pode reduzir a chance de falha da cirurgia em grupos específicos, sem aumentar significativamente as complicações.

Também há crescente interesse no uso de reforços mecânicos internos e de terapias biológicas como complemento ao tratamento cirúrgico. A proposta é proteger o enxerto durante a fase de cicatrização e tentar otimizar sua integração. No entanto, apesar do entusiasmo, esses recursos ainda não são considerados padrão de tratamento. Os resultados variam bastante e dependem da técnica, da indicação e do perfil do paciente.

É importante reforçar que nenhuma dessas inovações elimina a necessidade de reabilitação adequada. A fisioterapia continua sendo parte essencial do tratamento do LCA, tanto nos casos operados quanto nos não operados. Fortalecimento muscular, controle neuromuscular e retorno progressivo ao esporte são determinantes para o sucesso a longo prazo.

O tratamento da lesão do LCA caminha, cada vez mais, para a personalização. Não existe uma solução única que sirva para todos. A escolha entre reparar, reconstruir, associar técnicas ou optar por abordagens complementares deve ser feita de forma criteriosa, com base em evidências científicas, avaliação individual e diálogo claro entre médico e paciente.

Dra. Camila Cohen Kaleka – CRM/SP 127.292 RQE 57.765

Ortopedista

Mestrado na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Doutorado no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein

Membro da Brazil Health