Oncologia

O Relógio Biológico do Câncer de Intestino e o Poder da Prevenção

Estudo revela que um estilo de vida equilibrado pode reduzir drasticamente o risco de câncer de intestino, incentivando cuidados simples que salvam vidas.

Por Dr. Fernando Maluf , 12/10/2025

4 min de leitura

O Relógio Biológico do Câncer de Intestino e o Poder da Prevenção

A medicina tem buscado, de forma intensa, entender os mecanismos que levam ao surgimento do câncer. Esses conhecimentos são fundamentais para criarmos estratégias que diminuam a incidência da doença e melhorem a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes.

Uma nova visão sobre prevenção

Um estudo publicado recentemente traz uma nova perspectiva para a prevenção do câncer de intestino, um dos tumores mais comuns e uma das principais causas de morte por câncer no Brasil e no mundo.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia utilizaram dados de um grande banco de informações de saúde e genética de milhares de mulheres brancas na pós-menopausa, entre 50 e 79 anos. A partir de amostras de sangue coletadas até 17 anos antes do diagnóstico, eles avaliaram o envelhecimento do organismo. O resultado foi claro: mulheres cuja idade biológica estava acima do esperado tinham probabilidade até 20 vezes maior de desenvolver câncer de intestino, especialmente quando consumiam poucas frutas e verduras.

Já aquelas que mantinham uma alimentação rica nesses alimentos não tiveram aumento do risco, mesmo quando eram biologicamente mais velhas. Ou seja, cuidar do que colocamos no prato pode compensar parte do impacto do envelhecimento no organismo e ajudar a prevenir o câncer.

Fatores de risco e hábitos de vida

Outro ponto que chamou atenção foi o das mulheres que retiraram os dois ovários antes da menopausa natural. Elas apresentaram uma idade biológica mais avançada e, associando isso ao envelhecimento acelerado, o risco de câncer de intestino era ainda maior. Isso mostra como os hormônios e a história reprodutiva da mulher devem ser sempre avaliados.

Esses achados reforçam algo que já defendemos há algum tempo, com base em dados científicos sólidos: o estilo de vida é um dos pilares mais importantes da prevenção do câncer. Estimativas apontam que até metade dos casos da doença poderiam ser evitados com medidas como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, evitar cigarro e moderação no consumo de álcool. Especificamente para o câncer de intestino, a dieta rica em fibras, a redução do consumo de carnes processadas e manter um peso saudável fazem toda a diferença.

A importância do rastreamento e do acompanhamento

Além da prevenção primária, cada vez mais evidências mostram que mudar o estilo de vida pode impactar também o prognóstico de quem já recebeu o diagnóstico. Em um dos maiores congressos de oncologia do mundo, um trabalho de grande repercussão revelou que pacientes com câncer de intestino em estágios iniciais ou intermediários que praticaram atividade física regular após o tratamento tiveram redução significativa do risco de retorno da doença e melhora da qualidade de vida. Isso reforça que cuidar do organismo vai além da prevenção: faz parte do tratamento e da recuperação.

Outro aspecto importante que o estudo epigenético sugere é que, no futuro, poderemos usar marcadores moleculares para identificar quem precisa de um rastreamento mais próximo. Atualmente, a colonoscopia é o principal exame para detectar pólipos e tumores precocemente, indicada a partir dos 45 anos ou antes, em pessoas com histórico familiar. Quanto mais cedo diagnosticamos, maiores as chances de cura e, muitas vezes, é possível retirar lesões antes que virem câncer.

O avanço da medicina nos permite unir ciência de ponta a ações práticas de saúde pública e educação da população. Investir em hábitos saudáveis, incentivar o rastreamento e, no futuro, usar ferramentas como a epigenética podem transformar a realidade do câncer de intestino no Brasil.

Dr. Fernando Maluf – CRM 81.930

Oncologista

Head Regional da Brazil Health