Oftalmologia

Estação Fria, Problemas Quentes

O frio e o ar seco do inverno podem provocar incômodos e agravar problemas nos olhos, tornando o cuidado com a visão ainda mais importante nesta estação.

Por Dr. Fábio Medina Rocha , 03/08/2025

4 min de leitura

Estação Fria, Problemas Quentes

Estação Fria, Problemas Quentes

No inverno, as baixas temperaturas e o ar seco podem causar desconfortos e agravar problemas de saúde ocular. Conheça os riscos, saiba como se prevenir e cuide da sua visão.

Com a chegada do inverno, é comum pensarmos em gripe, resfriado e nariz entupido. Mas você sabia que os olhos também sofrem bastante nessa época do ano? O clima frio e seco pode agravar ou até desencadear diversos problemas oculares, que muitas vezes são ignorados ou confundidos com simples incômodos.

Entender os efeitos do inverno sobre a saúde dos olhos é o primeiro passo para proteger a visão durante a estação mais fria do ano.

Olho seco: quando o ar seco incomoda mais do que o frio

Durante o inverno, a umidade do ar diminui, os ventos se intensificam e muitas pessoas passam mais tempo em ambientes fechados, com aquecedores ou ar-condicionado ligados. Tudo isso contribui para um problema bastante comum: o olho seco.

A lágrima é fundamental para manter a superfície dos olhos lubrificada, saudável e protegida. Quando ela evapora mais rapidamente do que o normal — algo típico em climas secos e frios — surgem sintomas como:

  • Ardência
  • Sensação de areia nos olhos
  • Vermelhidão
  • Coceira
  • Cansaço ocular
  • Visão embaçada temporária

Se esses sintomas forem frequentes, é importante buscar orientação médica. Em muitos casos, o uso de colírios lubrificantes (lágrimas artificiais) ajuda bastante, mas o oftalmologista pode indicar tratamentos mais específicos, se necessário.

Conjuntivites e alergias oculares em alta

Outro problema comum no inverno é o aumento das conjuntivites, especialmente a viral, que é altamente contagiosa. Isso acontece porque as pessoas tendem a ficar mais próximas umas das outras em ambientes fechados e com pouca ventilação, o que facilita a transmissão de vírus.

Além disso, o frio também intensifica as alergias oculares, principalmente em quem já sofre com rinite ou asma. Poeira, mofo e ácaros ficam mais concentrados dentro de casa, provocando reações nos olhos como:

  • Coceira intensa
  • Lacrimejamento
  • Inchaço nas pálpebras
  • Olhos vermelhos

A conjuntivite alérgica, embora não seja contagiosa, precisa de tratamento específico e pode piorar se o paciente coçar os olhos ou usar colírios inadequados por conta própria.

Prevenção e quando procurar um especialista

Você pode adotar alguns cuidados simples para reduzir o risco de desconfortos e doenças oculares no inverno:

  • Mantenha os ambientes ventilados, mesmo no frio, para evitar acúmulo de vírus e alérgenos.
  • Evite o uso excessivo de ar-condicionado ou aquecedores, pois eles ressecam ainda mais o ar.
  • Hidrate-se bem: beber água também ajuda na produção natural das lágrimas.
  • Use colírios lubrificantes, com orientação médica.
  • Evite coçar os olhos, especialmente se estiver com sintomas de alergia ou irritação.
  • Lave as mãos com frequência e não compartilhe toalhas, maquiagens ou colírios, para evitar a propagação de conjuntivites.

Nem todo olho vermelho ou irritado é sinal de algo grave, mas a persistência dos sintomas por mais de dois dias é um alerta. Você deve procurar um oftalmologista se:

  • Os sintomas não melhorarem com medidas simples
  • Houver dor intensa, sensibilidade à luz ou queda da visão
  • Aparecer secreção amarelada ou purulenta
  • Os dois olhos forem afetados de forma súbita
  • Você já tem histórico de problemas oculares, como ceratocone, glaucoma ou cirurgias anteriores

O diagnóstico precoce faz toda a diferença, tanto no alívio dos sintomas quanto na prevenção de complicações.

Conclusão: olhos protegidos em qualquer estação

O inverno é, sim, uma época de risco para os olhos, mas com informação, prevenção e os cuidados certos, é possível passar pela estação fria com mais conforto e saúde ocular. Estar atento aos sinais que os olhos dão e não adiar uma consulta com o oftalmologista pode evitar grandes desconfortos e até preservar a visão a longo prazo.

Dr. Fábio Medina Rocha – CRM MG 42220

Oftalmologista e membro da Brazil Health