Vacinação

Vacinação contra HPV Avança no Brasil mas Barreiras Culturais Ainda Dificultam Adesão

Cobertura supera média mundial e SUS amplia faixa etária, mas mitos sobre sexualidade e a ideia de que HPV é “problema de mulher” ainda freiam a adesão.

Por Redação Brazil Health , 01/11/2025

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Vacinação contra HPV Avança no Brasil mas Barreiras Culturais Ainda Dificultam Adesão

O Brasil vem ampliando a proteção contra o HPV, vírus ligado ao câncer do colo do útero — principal causa de morte entre mulheres até 36 anos e a segunda até 60. Mesmo assim, barreiras culturais persistem: parte das famílias ainda associa a vacina ao início da vida sexual e reduz a infecção a uma questão feminina, o que atrapalha a procura.

Em 2024, a cobertura ultrapassou a média global: mais de 82% entre meninas e 67% entre meninos de 9 a 14 anos. A melhora é atribuída a vacinação em escolas e a campanhas educativas. Também pesa a ampliação temporária da idade no SUS para incluir jovens até 19 anos que perderam o esquema na época ideal.

A infectologista pediátrica Sylvia Freire, do Sabin Diagnóstico e Saúde, reforça que a adolescência é a janela de melhor proteção. “Alguns pais ainda temem que a vacina estimule a vida sexual precoce, mas é justamente nessa fase que o organismo responde de forma mais robusta ao imunizante”, afirma.

Quem deve se vacinar

Pelo Programa Nacional de Imunizações, a vacina é indicada prioritariamente para quem tem entre 9 e 14 anos, com extensão temporária até 19 no SUS para recuperar não vacinados. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda a proteção também para adultos não imunizados até 45 anos. Acima dessa idade, a decisão é individualizada, tomada entre paciente e médico.

O ideal, reforça Freire, é começar cedo, antes do início da vida sexual, quando ainda não houve contato com o vírus. Embora o câncer de pênis seja raro, a vacinação em meninos ajuda a reduzir a circulação do HPV e previne verrugas genitais e outras complicações.

Tipos de vacina e esquemas

No SUS, está disponível a vacina quadrivalente, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18. Na rede privada, a versão nonavalente amplia a cobertura e inclui mais cinco tipos. “Os tipos 16 e 18 respondem por cerca de 70% dos cânceres de colo do útero; somados a 31, 33, 45, 52 e 58, chegam a 90% dos casos”, explica a médica.

Segundo a SBIm, a nonavalente deve ser aplicada em duas doses, com seis meses de intervalo, para quem tem de 9 a 19 anos; de 20 a 45 anos, são três doses (0, 2 e 6 meses). Para a quadrivalente oferecida pelo SUS, o esquema atual é de dose única para meninas e meninos, com calendários específicos e reforços em grupos que exigem proteção adicional.

Pacientes vivendo com HIV, vítimas de violência sexual e pessoas com papilomatose respiratória recorrente podem necessitar de mais doses. No caso dessa última condição, caracterizada por lesões verrucosas nas vias aéreas, são indicadas três doses a partir dos 2 anos de idade.

Freire destaca que a vacinação vai além da prevenção do câncer do colo do útero. “A vacina protege também contra verrugas genitais e condilomas, trazendo benefícios diretos e coletivos ao reduzir a circulação do vírus”, conclui.