Urologia

Uso de drogas e remédios sem orientação pode afetar ereção e fertilidade, alerta urologista

No Dia Internacional de Combate às Drogas, especialista chama atenção para riscos do álcool, anabolizantes, cigarros e medicamentos usados por conta própria, inclusive entre jovens, com efeitos que podem não ser reversíveis.

Por Redação Brazil Health , 25/06/2026

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Uso de drogas e remédios sem orientação pode afetar ereção e fertilidade, alerta urologista

O consumo de drogas ilícitas e o uso inadequado de substâncias legalizadas, como álcool, cigarro, anabolizantes e medicamentos, podem comprometer a saúde sexual masculina, com impactos que vão de queda da libido e dificuldade de ereção até infertilidade. O alerta ganha força na semana do Dia Internacional de Combate às Drogas, lembrado em 26 de junho.

Segundo o urologista e andrologista Pedro Bastos, a discussão sobre drogas precisa incluir também produtos vistos como “comuns” e o uso de remédios sem acompanhamento médico, prática que tem crescido entre homens de diferentes idades. “O problema não se limita às substâncias ilícitas. Hoje também observamos um número crescente de homens utilizando medicamentos para ereção, testosterona, estimulantes para academia e até remédios para ansiedade ou para dormir sem orientação médica”, afirma.

Remédios para ereção entre jovens

Um dos pontos que preocupa especialistas é a procura por medicamentos para ereção por jovens e adolescentes sem diagnóstico de disfunção sexual. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária indicam que as vendas de tadalafila passaram de 3 milhões de unidades em 2015 para 64 milhões em 2024.

Para Bastos, a pressão por desempenho pode levar ao uso sem necessidade e abrir caminho para dependência psicológica. “Existe uma cobrança muito grande para que o homem esteja sempre pronto. Muitos jovens acabam recorrendo a medicamentos como a tadalafila sem necessidade médica. O risco é desenvolver uma dependência psicológica”, diz.

Como substâncias afetam desejo, ereção e hormônios

De acordo com o médico, diferentes substâncias interferem em sistemas que sustentam a resposta sexual masculina, como hormônios, vasos sanguíneos, nervos e áreas do cérebro ligadas ao desejo e à excitação. O consumo crônico e excessivo de álcool pode reduzir níveis de testosterona e favorecer alterações na função erétil. Drogas estimulantes podem impactar o controle da resposta sexual e o desejo.

Já anabolizantes, usados muitas vezes para fins estéticos, podem suprimir a produção natural de testosterona, com redução da libido e prejuízo à fertilidade. “A resposta sexual masculina depende do equilíbrio entre cérebro, hormônios, vasos sanguíneos e nervos. Quando alguma substância interfere nesses sistemas, os reflexos podem aparecer na libido, na qualidade das ereções e na fertilidade”, afirma.

Danos podem ser permanentes

O especialista ressalta que interromper o uso nem sempre significa recuperação completa. Em alguns casos, as alterações podem persistir, especialmente após consumo prolongado. “O uso prolongado de anabolizantes pode causar infertilidade, redução do tamanho dos testículos e alterações hormonais que nem sempre são totalmente reversíveis”, alerta.

Para reduzir riscos, Bastos recomenda procurar avaliação médica diante de queixas de desempenho sexual, queda do desejo, mudanças hormonais ou dificuldades para engravidar. “Não existe comprimido milagroso ou substância capaz de substituir sono adequado, atividade física, alimentação equilibrada e acompanhamento médico. O maior erro é tentar resolver o problema sozinho”, conclui.