Doenças Intestinais

Espermograma pode indicar problemas de saúde além da fertilidade; entenda limites

Por Redação Brazil Health , 25/06/2026

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Espermograma pode indicar problemas de saúde além da fertilidade; entenda limites

O urologista Dr. Marcos Tobias Machado explica o que os estudos mostram sobre a relação entre a qualidade do sêmen e a saúde geral e por que o espermograma ainda não deve ser usado como exame de rotina para rastrear doenças.

Conhecido principalmente por investigar dificuldades para engravidar, o espermograma, exame que analisa as características do sêmen, tem despertado interesse também por sua possível relação com a saúde geral do homem.

Estudos populacionais observaram que homens com pior qualidade seminal apresentaram maior risco de internações ao longo da vida e, em algumas análises, menor expectativa de vida em comparação com aqueles que tinham melhores parâmetros. Outras pesquisas também identificaram associação entre infertilidade masculina e maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer, incluindo formas mais agressivas de câncer de próstata.

Para o urologista Dr. Marcos Tobias Machado, esses resultados mostram que a fertilidade masculina pode refletir o funcionamento do organismo. "A produção de espermatozoides depende de um organismo saudável. Quando encontramos alterações no espermograma, esse resultado pode servir como um sinal de que vale a pena avaliar outros aspectos da saúde do paciente."

Quando um espermograma alterado merece atenção

Embora os estudos apontem uma relação entre alterações no sêmen e outras doenças, isso não significa que um homem com espermograma alterado desenvolverá necessariamente um problema cardiovascular ou um câncer.

"Os estudos mostram associações, não uma relação de causa e efeito. O exame, por si só, não faz esse tipo de previsão. O que ele pode fazer é indicar a necessidade de uma avaliação clínica mais ampla", explica Machado.

Segundo o especialista, fatores que comprometem a saúde do organismo também podem interferir na produção de espermatozoides. Obesidade, sedentarismo, tabagismo, inflamação crônica, alterações hormonais e doenças metabólicas estão entre as condições que podem afetar tanto a fertilidade quanto a saúde geral.

Quando o exame apresenta alterações, o urologista aproveita a consulta para investigar outros fatores. "Além da fertilidade, avaliamos peso, pressão arterial, glicemia, colesterol, hábitos de vida, qualidade do sono e uso de medicamentos ou hormônios. Muitas vezes, o espermograma acaba sendo o ponto de partida para identificar problemas que ainda não haviam sido diagnosticados."

O exame ainda não deve ser usado como check-up

Apesar do avanço das pesquisas, ainda não existem evidências suficientes para recomendar o espermograma como exame de rastreamento para homens sem indicação clínica.

"Para que um exame seja incorporado como rotina, é preciso demonstrar que ele reduz o risco de doenças ou de morte na população. Também é necessário comprovar que os benefícios superam os possíveis prejuízos. Hoje, essas evidências ainda não existem para o espermograma", afirma.

Segundo Marcos Tobias Machado, transformar o exame em um check-up universal pode levar a investigações desnecessárias e aumentar a ansiedade dos pacientes sem trazer benefícios concretos.

O que já se sabe

Embora o espermograma não faça parte dos exames preventivos de rotina, existe uma relação bem estabelecida entre saúde reprodutiva e estilo de vida.

"Obesidade, sedentarismo, tabagismo, uso de anabolizantes e consumo excessivo de álcool prejudicam a fertilidade e também aumentam o risco de doenças cardiovasculares e metabólicas. Cuidar desses fatores melhora a saúde como um todo."

O especialista recomenda que alterações persistentes no espermograma não sejam ignoradas.

"Em alguns casos, elas indicam apenas um problema relacionado à fertilidade. Em outros, podem ser um alerta para condições que merecem investigação. Cada paciente deve ser avaliado de forma individual."

Para o urologista, a principal contribuição das pesquisas é estimular os homens a procurarem acompanhamento médico com mais frequência.

"A saúde reprodutiva faz parte da saúde do homem. Quando prestamos atenção aos sinais que o organismo dá, aumentamos as chances de identificar problemas precocemente e de preservar a qualidade de vida no futuro."