Tumor na hipófise: alerta para dores de cabeça, visão turva e descontrole hormonal
Eles costumam ser benignos, mas podem afetar visão, fertilidade e energia. Especialista da UFMG explica sinais, diagnóstico e quando a cirurgia pelo nariz é indicada.
Por Redação Brazil Health , 02/01/2026
3 min de leitura
Pequena, mas poderosa. Localizada atrás dos olhos, a hipófise comanda a produção de hormônios que regulam crescimento, tireoide, fertilidade, adrenal e lactação. “A hipófise tem pouco mais de 1 centímetro, mas controla quase todo o sistema endócrino do corpo”, explica o professor e neurocirurgião Baltazar Leão.
Quando surge um tumor nessa região, os efeitos ganham o corpo inteiro. “Os efeitos podem ser bastante amplos — e, muitas vezes, inesperados”, diz Leão. A maioria é benigna e cresce devagar. “A maioria dos tumores da hipófise é benigna e de crescimento lento”, reforça.
O que é e quem pode ser afetado
Os tumores da hipófise, chamados adenomas, representam de 10% a 15% dos tumores dentro do crânio e são mais comuns entre 30 e 60 anos. Muitos aparecem por acaso em exames de imagem feitos por outros motivos.
Eles se dividem em dois grupos:
- Funcionantes: produzem hormônios em excesso. Podem causar acromegalia (excesso do hormônio do crescimento), síndrome de Cushing (excesso de cortisol) e prolactinomas (excesso de prolactina).
- Não funcionantes: não liberam hormônios, mas podem crescer e pressionar estruturas vizinhas, como o nervo óptico, além de atrapalhar a produção hormonal normal.
Sinais que pedem atenção
Por ficar perto da região dos nervos da visão, o tumor pode comprometer especialmente a visão lateral. Outros sinais frequentes incluem:
- dores de cabeça recorrentes
- alterações menstruais e infertilidade (nas mulheres)
- disfunção erétil e queda da libido (nos homens)
- produção de leite fora da gravidez
- ganho de peso, fraqueza, inchaço e cansaço excessivo
- mudanças de humor, ansiedade e depressão
Em crianças, o excesso de hormônio do crescimento pode causar gigantismo. Em adultos, provoca acromegalia, com aumento de mãos, pés e traços faciais.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico começa com avaliação clínica e exames de sangue para medir os hormônios. A ressonância magnética da sela túrcica (onde fica a glândula) mostra o tamanho e a posição do tumor. Lesões menores de 1 cm são microadenomas; as maiores são macroadenomas — informação que ajuda a definir o tratamento.
As opções terapêuticas variam conforme tipo, tamanho e comportamento hormonal do tumor:
- Medicamentos: especialmente eficazes em prolactinomas, com boa resposta a agonistas dopaminérgicos.
- Cirurgia: indicada quando há compressão do nervo óptico, falha do tratamento clínico ou tumores não funcionantes maiores. “A abordagem mais utilizada é a neurocirurgia endoscópica transnasal, um procedimento minimamente invasivo realizado pelo nariz, com excelente taxa de eficácia e recuperação mais rápida”, afirma Leão.
- Radioterapia: reservada para casos selecionados, como tumor residual ou recidiva após a cirurgia.
A maior parte dos pacientes retoma a vida normal após o tratamento, embora, em alguns casos, seja necessário acompanhamento hormonal por tempo indeterminado. “Quanto mais cedo o tumor é identificado, maiores são as chances de um tratamento menos invasivo e com melhores resultados”, conclui o especialista.
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