PRP nas articulações avança como alternativa para dor, mas exige indicação cuidadosa
Feito com o sangue do próprio paciente, o plasma rico em plaquetas pode aliviar sintomas em casos selecionados, mas exige indicação correta, técnica segura e expectativas realistas.
Por Redação Brazil Health , 28/06/2026
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Uma técnica que usa o próprio sangue do paciente para tentar reduzir dor e melhorar a função das articulações vem chamando a atenção em consultórios de ortopedia: o plasma rico em plaquetas, conhecido pela sigla PRP. A proposta é concentrar plaquetas e substâncias que participam da reparação dos tecidos e aplicá-las na articulação para ajudar a controlar a inflamação local.
A ortopedista Dra. Camila Cohen Kaleka explica que o PRP tem sido visto como uma alternativa especialmente para pessoas que sofrem com dor e limitação de movimento, em quadros articulares específicos. “Ele atua modulando o processo inflamatório dentro da articulação, o que pode reduzir a dor e favorecer a função”, afirma.
Apesar do interesse crescente, o uso do PRP ainda demanda cautela. Não se trata de um “remédio” tradicional, e a discussão sobre em quais situações ele deve ser indicado segue em evolução na medicina, com novas evidências sendo analisadas para orientar condutas mais claras.
O que dizem as regras e por que ainda há debate
No Brasil, as normas de segurança para coleta, preparo e manuseio de material biológico seguem critérios estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Já as orientações médicas sobre como a técnica pode ser usada na prática clínica passam por discussão no âmbito do Conselho Federal de Medicina (CFM), que revisa uma normativa publicada em 2015 e que classificava o PRP como procedimento experimental.
Na prática, isso reforça a necessidade de indicação criteriosa, explicação detalhada ao paciente e realização do procedimento em ambientes adequados, com técnica padronizada e profissionais capacitados.
Quando pode funcionar e por que não serve para todo mundo
Estudos clínicos apontam que, em pacientes selecionados — especialmente em fases iniciais de artrose do joelho — o PRP pode ter resultados comparáveis ou até superiores aos do ácido hialurônico para aliviar a dor e melhorar a função, com potencial de efeito mais duradouro. A resposta, porém, varia bastante.
“Nem todas as infiltrações funcionam da mesma maneira para todos os pacientes”, alerta a Dra. Camila Cohen Kaleka. Segundo ela, o resultado depende de fatores como o estágio da doença, o perfil clínico e o modo como o PRP é preparado.
Outro ponto importante é que o PRP não é uma solução isolada. Mesmo quando indicado, ele não substitui medidas consideradas fundamentais no cuidado de problemas articulares, como fisioterapia, fortalecimento muscular, controle de peso e acompanhamento médico.
Segurança e custo: onde estão os principais cuidados
Por ser produzido a partir do sangue do próprio paciente, o PRP é geralmente visto como um procedimento de baixo risco, com menor chance de rejeição ou alergias. Ainda assim, a segurança depende diretamente de como o material é coletado, preparado e aplicado.
Quando feito fora de condições adequadas, podem ocorrer problemas como dor mais intensa, falhas na aplicação e até infecção. “O cuidado maior está na coleta, no preparo e na aplicação, que devem seguir rigorosamente as normas de boas práticas médicas”, destaca a especialista.
O custo também costuma gerar dúvidas. Embora seja um derivado do sangue, o procedimento requer estrutura e insumos específicos, como centrífugas calibradas e sistemas de coleta fechados, além de materiais que garantam qualidade e segurança. Além disso, a concentração de plaquetas pode variar conforme o método de preparo — e essa variação pode influenciar o resultado.
Para pacientes interessados, a recomendação é buscar orientação com profissional habilitado, esclarecer indicações e limitações e desconfiar de promessas de cura. O PRP pode oferecer benefícios reais em casos bem selecionados, mas o uso responsável passa por boa indicação, técnica correta e expectativa compatível com o que a ciência tem demonstrado.