Tratamento Ortodôntico

Aparelho dental: quando começar? Especialistas recomendam avaliação aos 7 anos

ABOR, CFO e Sociedade Paulista de Ortodontia indicam a primeira consulta na troca dos dentes de leite, para detectar cedo problemas de mordida e espaço

Por Redação Brazil Health , 17/01/2026

3 min de leitura

Aparelho dental: quando começar? Especialistas recomendam avaliação aos 7 anos

A primeira avaliação ortodôntica deve ocorrer por volta dos 7 anos – quando começa a troca dos dentes anteriores –, recomendam entidades da área. A orientação mira pais e cuidadores e busca identificar precocemente alterações de mordida e de crescimento facial, evitando tratamentos mais complexos no futuro.

O Conselho Federal de Odontologia, em conjunto com os Conselhos Regionais, e a Associação Brasileira de Ortodontia, alinhada à American Association of Orthodontics, reforçam que o acompanhamento desde a infância permite intervir no momento adequado e acompanhar casos que podem aguardar até a dentição permanente.

Por que a avaliação precoce importa

Para a presidente da ABOR, Carla D’Agostini Derech, “uma avaliação nessa idade é fundamental, pois podemos diagnosticar desarmonias no crescimento da face, assim como avaliar o espaço disponível para os dentes permanentes ainda não irrompidos, enquanto os dentes de leite ainda estão presentes. […] A maioria dos pacientes começa o tratamento corretivo após a troca dos últimos dentes de leite, por volta dos 12 anos de idade”.

A presidente da Sociedade Paulista de Ortodontia, Soo Young Kim Weffort, ressalta que a primeira avaliação pode acontecer ainda na dentição de leite e que nem sempre haverá intervenção imediata: muitas vezes, o acompanhamento periódico é suficiente até o momento ideal.

Sinais de alerta e causas comuns

Segundo Weffort, mordidas cruzadas – posteriores ou anteriores – devem receber atenção logo nas fases de dentição de leite e mista. “Essas situações devem ser corrigidas, se possível, ainda na dentição decídua, pois impedem que o crescimento craniofacial se desenvolva incorretamente.” Ela lembra que a indicação do clínico-geral e do odontopediatra ajuda a encaminhar o paciente na hora certa.

As maloclusões podem ter origem genética e também sofrer influência de fatores ambientais e hábitos, como uso prolongado de chupeta, sucção do polegar, respiração bucal crônica e perda precoce de dentes de leite por cárie. Para Carla Derech, “o diagnóstico preciso da etiologia das maloclusões exige conhecimento técnico, experiência e comprometimento profissional, de modo que os fatores causais sejam identificados e controlados”.

Opções de tratamento e equipe envolvida

As especialistas destacam que cada caso é único e a indicação do aparelho depende da necessidade clínica, da fase de crescimento e dos objetivos do tratamento. Entre os recursos disponíveis, estão:

  • Aparelhos com bráquetes fixos metálicos
  • Aparelhos com bráquetes estéticos (safira ou cerâmica)
  • Aparelhos funcionais e ortopédicos removíveis – indicados para modular o crescimento ósseo
  • Alinhadores transparentes
  • Aparelhos removíveis usados como contenção
  • Contenções ortodônticas para manter o resultado
  • Mini-implantes para ancoragem esquelética

Quando há problemas respiratórios ou hábitos que interferem na mordida, o cuidado pode ser interdisciplinar, com otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos. “Em tratamentos associados, o profissional pode encaminhar o paciente […] quando houver necessidade de atuação interdisciplinar na intervenção e tratamento de problemas do trato respiratório”, aponta Carla.

Os tratamentos envolvem movimentação dentária e remodelação óssea para equilibrar estética e função. Exames de imagem – como tomografias – têm ganhado espaço no planejamento, especialmente em casos cirúrgicos. Embora muitas vezes motivada por queixas estéticas, a Ortodontia também melhora mastigação e respiração, contribuindo para a saúde geral e a qualidade de vida.