Transplante de Córnea

Fila Para Transplante de Córneas Quase Triplica e Tempo de Espera Chega a Quatro Anos

Demanda cresce, enquanto doações não acompanham ritmo e mantêm milhares sem enxergar por anos

Por Redação Brazil Health , 03/10/2025

3 min de leitura

Fila Para Transplante de Córneas Quase Triplica e Tempo de Espera Chega a Quatro Anos

Mais de 32 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante de córnea no Brasil. Apesar de ser o procedimento desse tipo mais realizado no país, a fila praticamente triplicou na última década, revela o Ministério da Saúde. O aumento é reflexo tanto da maior necessidade de cirurgias quanto da baixa doação do tecido, cenário que afeta especialmente jovens pacientes portadores de doenças como o ceratocone.

De acordo com a oftalmologista Cláudia Morgado, muitos pacientes só recebem o diagnóstico em estágio avançado, o que aumenta o sofrimento enquanto aguardam pelo procedimento. "A demora não só significa a privação visual, mas também impacto na vida escolar, profissional e emocional dessas pessoas", ressalta a especialista, que observa impactos significativos no cotidiano de quem depende do transplante para recuperar a visão.

A doação de córnea ajuda milhares, mas precisa de mais adesão

O transplante de córnea é indicado para casos em que lesões ou doenças impedem a recuperação da visão por métodos convencionais. As principais razões são ceratocone, cicatrizes e distrofias na córnea. No entanto, para que a cirurgia aconteça, é fundamental a doação. "Ao contrário de outros órgãos, qualquer pessoa pode ser doadora de córnea, não há restrição de compatibilidade. É um gesto que transforma vidas", explica o especialista Rodrigo Borges.

O desconhecimento ainda é um obstáculo para muitos brasileiros que não sabem da facilidade e da importância de autorizar a doação, principalmente por familiares, após a morte. O ato pode devolver a visão e autonomia a quem aguarda por uma chance na fila.

Outros problemas oculares crescem e preocupam especialistas

Além da fila nos transplantes, questões como a miopia e doenças da visão ligadas ao envelhecimento e ao diabetes também trazem alerta. A miopia já atinge cerca de 59 milhões de brasileiros e o aumento do uso de telas e menos tempo ao ar livre preocupam especialistas. "O acompanhamento começa ainda na infância e pode evitar complicações, inclusive cegueira em quadros avançados", afirma Dra. Morgado.

Com o envelhecimento da população, estima-se que 75% dos idosos desenvolverão algum problema ocular, entre eles catarata, glaucoma e degeneração macular. "A saúde ocular na terceira idade precisa ser monitorada de perto. O diagnóstico precoce preserva a visão e a autonomia dos idosos", orienta a oftalmologista Kátia Mello.

Outra condição que acende o sinal de alerta é a retinopatia diabética: quase 40% dos diabéticos brasileiros já apresentam sinais do problema. "O paciente com diabetes deve passar por avaliações regulares. Em estágios iniciais, controlar o diabetes pode evitar complicações irreversíveis", reforça a médica Fábia Crespo.

Conscientização e prevenção ainda são desafios

O avanço nos transplantes e nos tratamentos oftalmológicos é uma conquista no país, mas especialistas lembram que o acesso ainda é limitado, a prevenção é falha e a doação de córneas depende de mais informação. Mobilizar a sociedade sobre o valor da doação e o acompanhamento oftalmológico é importante para frear a perda de visão e devolver qualidade de vida a milhares de brasileiros.