Volta às aulas pode acentuar sinais de TDAH em crianças e adolescentes
Especialistas alertam que a retomada da rotina escolar torna mais visíveis dificuldades de atenção, organização e impulsividade
Por Redação Brazil Health , 27/01/2026
3 min de leitura
O retorno às aulas, que ocorre próximo ao Dia Internacional da Educação, pode intensificar sintomas do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) em crianças e adolescentes. Com horários fixos, regras mais rígidas e maior demanda cognitiva, a rotina escolar tende a evidenciar dificuldades que ficam menos claras nas férias. Estimativas do Ministério da Saúde indicam que o transtorno atinge cerca de 7,6% desse público no Brasil.
Para o diretor da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil, Rubens Wajnsztejn, o início do ano letivo é um momento estratégico para acompanhamento e eventuais ajustes no tratamento – sempre em conjunto com o médico responsável. Segundo ele, a decisão terapêutica deve considerar como os sintomas se manifestam dentro e fora da escola, e a continuidade do cuidado favorece uma adaptação mais equilibrada à rotina.
O manejo do TDAH começa pelo reconhecimento dos sinais, que costumam surgir já na infância. Agitação acima do esperado para a idade, dificuldade para dormir, choro frequente e baixa tolerância à frustração, quando persistentes, indicam a necessidade de avaliação especializada.
Sinais que pedem atenção
Em casa e na escola, alguns comportamentos que podem indicar a necessidade de avaliação são:
- Desatenção a detalhes e erros por descuido em tarefas;
- Dificuldade para brincar e manter o foco em atividades de lazer;
- Frequente impressão de que “não está ouvindo” quando é chamado;
- Não concluir tarefas escolares ou domésticas;
- Dificuldade para organizar atividades e cumprir etapas;
- Evitar tarefas que exigem esforço mental prolongado;
- Distração fácil com estímulos externos e perda de objetos;
- Esquecimentos no dia a dia;
- Inquietude, fala excessiva e dificuldade de esperar a vez.
Capacitação nas escolas
A adaptação à rotina escolar reforça a importância de iniciativas de orientação. Criado em 2024, o projeto TDAH Levado a Sério na Escola alcançou, em 2025, mais de 1.000 educadores de 220 escolas públicas e particulares em diferentes regiões do país. A ação, parceria entre a Apsen e a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), busca capacitar professores para identificar sinais do transtorno e promover um ambiente mais inclusivo.
Novas etapas estão previstas para 2026, com a ampliação das atividades itinerantes e o lançamento de uma trilha de conhecimento digital para educadores de todo o país, com foco em informação qualificada e redução do estigma.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico do TDAH é clínico e deve ser feito por médico especializado. Instrumentos como a escala SNAP-IV auxiliam no rastreio, mas não substituem a avaliação profissional – diversos sintomas podem se confundir com outras condições clínicas ou psicológicas.
Em 2025, a Sociedade Brasileira de Pediatria oficializou oito opções medicamentosas para o tratamento do TDAH no país, incluindo estimulantes, antidepressivos e a atomoxetina, primeira terapia não estimulante disponível no Brasil desde o fim de 2023. A escolha do tratamento – medicamentoso e/ou psicossocial – deve ser individualizada e definida com o médico, considerando o contexto escolar e familiar.
Para famílias e escolas, a orientação é manter diálogo constante, estabelecer rotinas previsíveis e acionar avaliação especializada diante de sinais persistentes. A combinação de acompanhamento clínico e estratégias pedagógicas tende a melhorar o desempenho e o bem-estar dos estudantes ao longo do ano letivo.
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