Tabagismo

Cessar o Tabagismo Após os 60 Anos Reduz Riscos de Infarto, AVC e Câncer, Aponta SBGG

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia destaca que os benefícios da interrupção do tabaco acontecem em qualquer fase da vida

Por Redação Brazil Health , 29/08/2025

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Cessar o Tabagismo Após os 60 Anos Reduz Riscos de Infarto, AVC e Câncer, Aponta SBGG

O tabagismo voltou a crescer no Brasil: em apenas um ano, o número de fumantes aumentou 25%, segundo dados do Ministério da Saúde. O cenário preocupa ainda mais diante do envelhecimento da população, já que, entre idosos, os riscos trazidos pelo cigarro se multiplicam. Especialistas alertam que, mesmo para quem fuma há décadas, interromper o consumo do tabaco em qualquer idade traz importantes benefícios à saúde.

De acordo com a médica Amanda Santoro Fonseca Bacchin, geriatra da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), quem mantém o hábito ao longo da vida perde, em média, de oito a dez anos de expectativa de vida em comparação aos não fumantes. "O tabagismo contínuo está fortemente associado ao maior declínio funcional com limitações físicas, dores musculoesqueléticas e sintomas depressivos, efeitos que se acentuam conforme a idade", afirma.

Nos idosos, essas consequências podem ser ainda mais graves devido a comorbidades e à menor reserva fisiológica. "Mesmo pessoas que começam a fumar após os 60 anos tendem a apresentar agravos como infarto e AVC. Mas é fundamental destacar que os benefícios de parar de fumar surgem mesmo em idades avançadas, inclusive acima dos 80 anos", reforça a médica da SBGG.

Riscos ampliados pela idade

O cigarro é apontado como principal vilão. A lista de complicações inclui:

  • doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), terceira maior causa de mortalidade no mundo
  • infarto e acidente vascular cerebral por aterosclerose
  • osteoporose e hipertensão arterial
  • doença do refluxo, apneia do sono, diabetes, arritmias, depressão e demência
  • vários tipos de câncer, sobretudo nos pulmões, bexiga, boca e esôfago

Segundo a geriatra, todos os tipos de tabaco – cigarro, cachimbo, charuto, narguilé e cigarros eletrônicos – trazem sérios prejuízos à saúde. "O cigarro tradicional é reconhecido como o mais agressivo, mas o narguilé, por exemplo, pode expor a níveis de toxinas até superiores aos do cigarro em algumas sessões de uso", alerta.

A popularização do cigarro eletrônico entre jovens também acende um alerta: "Em adolescentes, há risco de dependência importante, prejuízo ao desenvolvimento cerebral e risco de transição para o cigarro comum. A falsa noção de que é menos danoso pode ser perigosa", destaca Bacchin.

Como largar o cigarro

Para quem deseja parar, o caminho começa pelas Unidades Básicas de Saúde, que oferecem acompanhamento especializado. "Parar de fumar é desafiador, mas existem alternativas como reposição de nicotina, medicamentos antidepressivos, intervenções comportamentais e até aplicativos de celular", orienta a especialista. Práticas como atividade física, alimentação saudável e técnicas de meditação também podem ajudar.

A recompensa é rápida. Em apenas 20 minutos sem fumar, a pressão e a frequência cardíaca já se normalizam. Após 12 horas, os níveis de monóxido de carbono caem, melhorando a oxigenação do sangue. Entre três meses e nove meses sem cigarro, a função pulmonar pode melhorar até 30%. "Parar de fumar em qualquer fase da vida é um ganho imediato para a saúde e pode reduzir o risco de morte por doenças cardiovasculares e câncer", conclui a geriatra.