Surtos de Doenças

Dados do Google Permitem Prever Surtos de Doencas com Antecedencia em Ate Cinco Semanas

Levantamento aponta que análise de lotação em unidades de saúde antecipa epidemias em até cinco semanas, ajudando na resposta rápida contra doenças.

Por Redação Brazil Health , 14/10/2025

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Dados do Google Permitem Prever Surtos de Doencas com Antecedencia em Ate Cinco Semanas

Uma nova pesquisa liderada pelo Instituto Todos pela Saúde (ITpS) traz esperança para o enfrentamento de doenças como a dengue e a Covid-19. O estudo indica que, a partir da análise de dados públicos sobre a movimentação e lotação de unidades de saúde, disponibilizados pelo Google Maps, é possível prever surtos de infecções com até cinco semanas de antecedência.

O trabalho contou com a colaboração de pesquisadores da Universidade de São Paulo, do Instituto Capixaba de Ensino, da Universidade Federal de Goiás e da Universidade de Brasília, entre outras instituições. Eles acompanharam, entre julho de 2023 e outubro de 2024, o fluxo de pessoas em 17 unidades de pronto atendimento da Região Metropolitana de São Paulo. O resultado chamou a atenção: aumentos na ocupação dessas unidades antecederam os registros de altas nos casos de doenças respiratórias, como Covid-19 e gripe, além da dengue.

De acordo com Vanderson Sampaio, pesquisador do ITpS e autor principal do estudo, o método não infringe a privacidade das pessoas e pode ser usado como um “termômetro” dinâmico do avanço de doenças. “Esse é um avanço importante para a vigilância epidemiológica, porque oferece um sinal de alerta precoce a partir de informações que já estão disponíveis em tempo real”, explica Sampaio. “Ao usar dados abertos do Google Maps, conseguimos identificar anomalias na ocupação de unidades de saúde que se correlacionam diretamente com períodos de aumento de infecções.”

Os pesquisadores ressaltam o potencial do método para complementar os sistemas tradicionais de vigilância em saúde, que muitas vezes registram atrasos nas notificações. Outra vantagem é a viabilidade para uso em países onde ainda existem dificuldades em monitorar epidemias. “Trata-se de uma solução de baixo custo, escalável e facilmente aplicável em diferentes contextos, especialmente onde os sistemas de notificação são mais lentos ou fragmentados”, destaca Sampaio. Segundo ele, a ideia é que esses indicadores façam parte das estratégias de resposta a surtos em todo o país.

Além disso, o estudo revelou que, mesmo após a diminuição do movimento em geral, algumas regiões seguem sobrecarregadas, expondo desigualdades no acesso à saúde. Os especialistas defendem o uso contínuo desse tipo de monitoramento para que os gestores possam direcionar recursos e evitar que essas áreas fiquem ainda mais vulneráveis em situações de crise.