Superexposição de Crianças

Sharenting: Hospital Alerta Para Riscos da Superexposição Infantil nas Redes Sociais

Especialista alerta para riscos de segurança, desenvolvimento emocional e privacidade dos pequenos com fotos e vídeos no ambiente digital

Por Redação Brazil Health , 22/08/2025

3 min de leitura

Sharenting: Hospital Alerta Para Riscos da Superexposição Infantil nas Redes Sociais

Compartilhar o crescimento dos filhos em fotos e vídeos deixou de ser tradição somente em álbuns de família e passou para a visibilidade pública das redes sociais. A prática, batizada de “sharenting”, resulta da união dos termos em inglês “share” (compartilhar) e “parenting” (parentalidade) e tem levantado sérios alertas sobre as consequências para a infância.

Segundo o Pequeno Príncipe, maior hospital pediátrico do país, o costume de publicar a rotina dos filhos ultrapassa a mera diversão e pode colocar em risco a privacidade, saúde emocional e até a segurança das crianças. “Antigamente, as imagens ficavam restritas ao círculo íntimo. Hoje, qualquer postagem pode ganhar o mundo, fora do contexto e do controle dos pais”, destaca Thelma Alves de Oliveira, psicóloga e assessora da diretoria da instituição.

A legislação brasileira oferece respaldo para a proteção dos pequenos. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) afirma que toda criança tem direito à preservação de sua imagem e privacidade. Por ser indivíduo em desenvolvimento, também carece de maturidade para entender ou consentir sobre o que é publicado.

Um levantamento internacional aponta que, ao completar 13 anos, uma criança tem em média 1.300 fotos nas redes sociais publicadas por terceiros. A superexposição traz ameaças:

  • perda de controle sobre o conteúdo, que pode ser editado, salvo e manipulado por desconhecidos;
  • uso indevido de imagens por pedófilos e criminosos;
  • exposição de informações da rotina, facilitando crimes como perseguição e sequestro;
  • possibilidade de bullying e cyberbullying caso as imagens viralizem fora do contexto.

Para Thelma, há outro problema: a falta de controle das plataformas digitais. “O ECA protege, mas a fiscalização é limitada. A mudança precisa ser coletiva, com pais, familiares e toda a sociedade atentos aos riscos, mesmo nas postagens aparentemente inocentes.”

O impacto do sharenting vai além do digital. “A exposição excessiva pode abalar a autoconfiança da criança, provocar ansiedade, depressão e distorção de autoimagem”, alerta a especialista. A criança exposta desde cedo pode sentir que precisa corresponder a um padrão irreal, deixando de viver plenamente a infância.

  • reflita antes de postar conteúdos sobre como a criança encararia aquela exposição no futuro;
  • limite o compartilhamento a pessoas próximas e confiáveis;
  • nunca divulgue informações pessoais sensíveis, como nome completo, rotina ou localização;
  • respeite a vontade de crianças maiores e peça consentimento antes de publicar;
  • evite postar fotos que exponham intimidade ou que possam causar constrangimento.

No Brasil, a atuação de crianças como influenciadoras digitais ainda carece de regulação firme, diferentemente do que ocorre em outras mídias, como TV e cinema. Thelma destaca que o problema não está necessariamente no trabalho em si, mas na falta de proteção e de limites: “O erro é quando a criança perde o direito de brincar e ser ela mesma, vivendo para alimentar uma audiência. O papel da sociedade é equilibrar exposição, proteção e respeito ao desenvolvimento saudável dos pequenos.”