Síndrome Alcoólica Fetal

Instituto OMP Reforça Campanha Nacional Para Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal

Campanha lembra que não há níveis seguros para consumo de álcool na gravidez e destaca perigo até em produtos com baixos teores da substância.

Por Redação Brazil Health , 09/09/2025

3 min de leitura

Instituto OMP Reforça Campanha Nacional Para Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal

O álcool está entre os principais vilões da saúde no trânsito, mas seus perigos durante a gravidez ainda passam despercebidos para muitas famílias brasileiras. Nesta terça-feira (9), o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) reforça o alerta sobre os danos que o consumo de bebidas alcoólicas pode causar ao bebê, atingindo desde a formação do cérebro até o desenvolvimento de órgãos vitais.

A data, celebrada mundialmente, tem como marco o nono dia do nono mês, uma referência simbólica aos nove meses de gestação. Instituições como o Instituto Olinto Marques de Paulo (OMP) mobilizam campanhas para informar sobre os chamados Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), quadro do qual a SAF é a forma mais grave.

Segundo estudo realizado na periferia de São Paulo, cerca de 38 em cada mil bebês apresentam algum transtorno relacionado ao consumo de álcool da mãe durante a gestação. “A única causa da SAF é o consumo de álcool na gravidez. Não existe quantidade segura. A abstinência é o único caminho para proteger a vida e o futuro das crianças”, orienta Sara Assis, gestora da campanha nacional sobre o tema.

A SAF é pouco conhecida e difícil de diagnosticar. Envolve um conjunto de alterações físicas, comportamentais, cognitivas e emocionais que podem durar por toda a vida. De acordo com a ginecologista e obstetra Rosiane Mattar, diretora científica da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, o risco de anomalias nos fetos de mães que bebem pode ser até 65 vezes maior.

“A SAF pode acarretar vários tipos de malformações congênitas, não há nível seguro para o consumo e a recomendação é evitar qualquer quantidade de bebida alcoólica”, reforça a médica. Entre os quadros associados estão:

  • malformações faciais, cardíacas e renais
  • problemas de desenvolvimento cerebral e de aprendizagem
  • alterações na visão e audição
  • crescimento prejudicado e deformidades em membros

Outro desafio está no desconhecimento de onde o álcool pode ser encontrado: além das bebidas tradicionais, está presente em bombons com licor, kombuchas alcoólicas, sacolés e até mesmo em algumas cervejas rotuladas como “zero álcool”.

De acordo com Sara Assis, desde 2023 o Instituto OMP já alcançou mais de 3 milhões de pessoas com campanhas que incluem vídeos informativos, ampliando o acesso à orientação correta. A iniciativa conta com apoio de entidades médicas e organizações civis, sobretudo diante da chegada das festas de fim de ano, quando o risco de exposição ao álcool se intensifica.

O diagnóstico precoce pode mitigar os sintomas em parte das crianças, mas os efeitos são permanentes. A principal recomendação dos especialistas segue inalterada: durante os nove meses de gestação, para proteger o bebê, a única escolha segura é não consumir nenhum tipo de bebida alcoólica.