Setembro Verde

Setembro Verde: Mitos e Verdades Sobre Doação de Órgãos Segundo Especialista da ABTO

No mês de setembro, campanha reforça importância do diálogo familiar e esclarece dúvidas comuns sobre o transplante de órgãos no Brasil.

Por Redação Brazil Health , 17/09/2025

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Setembro Verde: Mitos e Verdades Sobre Doação de Órgãos Segundo Especialista da ABTO

O Setembro Verde traz à tona um tema sensível e essencial para milhares de famílias brasileiras: a doação de órgãos e tecidos. Apesar dos avanços, a doação ainda enfrenta resistência devido à falta de informação. Atualmente, mais de 78 mil pessoas aguardam transplante no Brasil, porém, em 2024, o SUS realizou pouco mais de 30 mil procedimentos.

Segundo o Dr. Lucas Nacif, cirurgião gastrointestinal e membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), muitas das barreiras para a doação poderiam ser superadas com mais esclarecimento. “A doação de órgãos é um ato de solidariedade que pode transformar vidas. Para que essa cultura se fortaleça, é fundamental que cada pessoa converse com sua família sobre a decisão de se tornar doador”, destaca.

  • “Existe privilégio na fila de transplantes” – mito: O sistema brasileiro de transplantes segue uma lista única e transparente, válida para todo o país. Não há privilégios por tipo de hospital ou condição financeira. “A lista única nacional é um dos sistemas mais justos que temos na medicina brasileira”, reforça Dr. Nacif.
  • “A fila de transplantes segue apenas ordem cronológica” – mito: Prioridades consideram o estado de saúde do paciente, compatibilidade com o órgão e distância entre doador e receptor, além do tempo de espera.
  • “Idade avançada ou histórico de vícios impedem a doação” – mito: Características como idade, tabagismo ou uso de álcool podem ser limitadores, mas não excluem automaticamente o potencial doador. A avaliação individual é sempre feita por médicos especializados.
  • “A família é quem autoriza a doação” – verdade: Mesmo que a pessoa manifeste o desejo em vida, a autorização da família é obrigatória para realizar a doação. Por isso, o diálogo sobre o tema se torna fundamental. “A necessidade de diálogo sobre doação de órgãos nunca foi tão evidente”, afirma o cirurgião.
  • “Um único doador pode salvar até 10 vidas” – verdade: Órgãos como coração, fígado, rins, pâncreas, pulmões, intestino e tecidos podem ser doados, além de córneas. Ainda existem doações em vida, como rins, parte do fígado e medula óssea.
  • “Todo doador passa por avaliação criteriosa” – verdade: Tanto doadores em vida quanto os submetidos à morte encefálica são analisados por equipes multidisciplinares. “A avaliação completa garante segurança para todas as partes envolvidas”, enfatiza Dr. Lucas Nacif.

No Brasil, não basta deixar o registro da vontade de ser doador em documentos: é indispensável informar à família o desejo de doar. Profissionais alertam que, diante de uma possível perda, o conhecimento prévio da vontade de doar pode ser decisivo para salvar novas vidas.

O Setembro Verde é um convite a quebrar tabus, conversar sobre a doação e ampliar esperanças para milhares de pessoas que dependem desse gesto de solidariedade.