Setembro Verde

Setembro Verde: Detalhes e Cuidados Sobre o Transplante de Fígado Entre Vivos

No mês dedicado à conscientização, hepatologista detalha como funcionam o transplante intervivos, a fila de espera e o pós-operatório dessa cirurgia vital.

Por Redação Brazil Health , 09/09/2025

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Setembro Verde: Detalhes e Cuidados Sobre o Transplante de Fígado Entre Vivos

Setembro é o mês do Setembro Verde, uma mobilização nacional que traz à tona a importância da doação de órgãos e tecidos, culminando no Dia Nacional da Doação em 27 de setembro. Entre os transplantes, o de fígado se destaca tanto por sua complexidade quanto por salvar milhares de vidas todos os anos.

Segundo a Dra. Patrícia Almeida, hepatologista da Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela USP, o transplante hepático pode ocorrer tanto a partir de doadores falecidos como de pessoas vivas, em cirurgias conhecidas como "transplante intervivos". “O paciente recebe parte do fígado de outro indivíduo saudável, com as duas cirurgias ocorrendo simultaneamente. Para a escolha do doador, uma série de critérios de compatibilidade e segurança são analisados”, esclarece a médica.

Qualquer pessoa saudável pode manifestar desejo de ser doadora de órgãos. “Basta informar a família, sem necessidade de documentação formal. O fundamental é a conversa em casa, para garantir que o desejo de doar seja respeitado”, reforça a especialista.

De acordo com Dra. Patrícia, algumas lesões crônicas e agudas ao fígado podem levar à falência do órgão, tornando o transplante a única saída. Entre as principais causas, estão:

  • abuso de álcool
  • hepatites virais B e C
  • acúmulo de gordura no fígado
  • doenças autoimunes
  • uso prolongado de medicamentos tóxicos
  • doenças genéticas

Além disso, casos graves e súbitos, como ingestão excessiva de paracetamol ou uso de certos chás e produtos naturais, também podem levar à necessidade de transplante de urgência.

A ordem na lista de espera depende do estado clínico do paciente, avaliado através do escore Meld Na, que considera resultados laboratoriais como creatinina, bilirrubina, INR e sódio. “Pacientes mais graves têm prioridade. Situações especiais, como câncer no fígado ou complicações como ascite grave, podem aumentar a pontuação e acelerar o acesso ao transplante”, explica Dra. Patrícia. O tempo na fila serve apenas para desempates entre pacientes com gravidade semelhante.

Receber um fígado novo é apenas parte do processo. “O paciente precisa adotar hábitos saudáveis, com alimentação baseada em produtos naturais, rica em legumes, grãos e frutas, evitando alimentos processados e fast food”, alerta a hepatologista. Além dos cuidados com o estilo de vida, o uso de imunossupressores e o acompanhamento médico regular são fundamentais para o sucesso do pós-operatório.

Setembro Verde reforça que doar órgãos é um gesto de solidariedade que pode transformar vidas. A orientação dos especialistas é simples: fale sobre o assunto com sua família e ajude a salvar vidas.