Segurança do Paciente

SOBRASP Lança Campanha Nacional Pela Segurança de Recém-Nascidos e Crianças no Brasil

No Dia Mundial da Segurança do Paciente, iniciativa alerta para erros evitáveis e estratégias de prevenção em hospitais e UTIs pediátricas brasileiras.

Por Redação Brazil Health , 17/09/2025

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SOBRASP Lança Campanha Nacional Pela Segurança de Recém-Nascidos e Crianças no Brasil

O Brasil atingiu, em 2023, o menor índice de mortalidade infantil em quase três décadas, reduzindo o número de óbitos evitáveis em 62% desde 1996. Apesar do avanço, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que eventos adversos nas internações de crianças ainda são alarmantes, chegando a 91,6% em UTIs pediátricas ao redor do mundo.

Diante deste cenário, a Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP) lança, no Dia Mundial da Segurança do Paciente, em 17 de setembro, uma campanha nacional focada na prevenção de riscos para recém-nascidos e crianças. Alinhada ao tema global proposto pela OMS para 2025 – “Cuidados seguros para cada recém-nascido e cada criança” –, a iniciativa visa informar profissionais, pacientes e familiares sobre práticas que minimizam danos e melhoram a qualidade da assistência pediátrica.

Medidas para proteger o público infantil

Segundo Priscila Amaral, membro do núcleo de pediatria da SOBRASP, a ação busca atuar desde o pré-natal até a adolescência. “A segurança do paciente deve ser vista de forma integral, respeitando as particularidades de cada fase do desenvolvimento. É essencial criar ambiente que promova a prática da ‘medicação segura’”, destaca.

A campanha envolve webinars, lives e podcasts, com dicas e orientações sobre prevenção de infecções, administração correta de medicamentos, diagnóstico seguro e incentivo à vacinação. Também reforça a parceria com órgãos públicos e sociedades científicas para ampliar o conhecimento técnico e a adoção de boas práticas nos serviços de saúde.

Principais riscos nas hospitalizações de crianças

  • erros na administração de medicamentos, como dose ou intervalo incorretos;
  • uso inadequado de dispositivos, como cateteres e cânulas;
  • lesões causadas por desinfetantes;
  • falhas no diagnóstico e atraso no reconhecimento da deterioração clínica;
  • baixa cobertura vacinal;
  • transmissão de infecções devido à má higienização das mãos.

Estudo recente da UFRJ apontou que dois a cada três eventos adversos em UTIs pediátricas estão ligados a erros na administração de remédios, especialmente antibióticos, sedativos e analgésicos. Para minimizar os equívocos, a SOBRASP recomenda o uso de sistemas eletrônicos de prescrição, protocolos rigorosos para manuseio de dispositivos invasivos e capacitação contínua das equipes.

Imunização e prevenção de infecções

Apesar dos avanços, nenhum estado brasileiro atingiu a meta de 95% de cobertura vacinal para as quatro principais vacinas infantis em 2023, segundo o Anuário Vacina BR. Isso compromete a proteção contra doenças como sarampo, poliomielite e pneumonia. A higienização das mãos permanece como a medida mais simples e eficaz contra a transmissão de infecções em hospitais – prática recomendada não só para profissionais, mas também para familiares e visitantes.

Diagnóstico seguro e sepse

O erro de diagnóstico atinge até 7% dos pacientes hospitalizados, resultado de limitações de acesso a exames, históricos incompletos e precariedade nos registros. “A OMS recomenda ampliar o acesso a testes diagnósticos, disponibilizar o histórico do paciente e investir em tecnologias capazes de monitorar e corrigir falhas”, afirma Priscila Amaral.

A campanha também alerta para o reconhecimento precoce da deterioração clínica, com destaque para a sepse, condição grave que pode levar à falência de órgãos e morte se não tratada rapidamente.

Com informações e estratégias voltadas à prevenção, a SOBRASP pretende ampliar a mobilização por ambientes hospitalares mais seguros para a infância no Brasil.