Saúde Pulmonar

Procedimentos Minimamente Invasivos Revolucionam Tratamento do Enfisema Pulmonar Grave

Novas técnicas reduzem internação, aliviam sintomas e devolvem qualidade de vida a pacientes com doença pulmonar avançada.

Por Redação Brazil Health , 10/10/2025

3 min de leitura

Procedimentos Minimamente Invasivos Revolucionam Tratamento do Enfisema Pulmonar Grave

O enfisema pulmonar, uma das formas mais graves da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), desafia médicos e pacientes há décadas. Mas a adoção de procedimentos minimamente invasivos, como a Redução do Volume Pulmonar, está mudando o cenário do tratamento principalmente para os casos mais severos. “Para pacientes graves que já passaram por todos os tratamentos disponíveis, a redução do volume pulmonar pode significar conforto, autonomia e latidos de esperança”, explica o cirurgião torácico Luís Carlos Losso, do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo.

Técnicas modernas trazem alívio e segurança

A redução do volume pulmonar consiste na remoção, via cirurgia pouco invasiva, de áreas mais comprometidas do pulmão, que acabam “apertando” as regiões ainda saudáveis e dificultando a respiração. Aproximadamente 20 a 30% do tecido pulmonar mais danificado é retirado, beneficiando cerca de 80% dos pacientes operados, segundo o especialista. O procedimento visa melhorar a função pulmonar, diminuir o uso de oxigênio suplementar e, em muitos casos, abandonar medicamentos fortes, como os corticosteroides. Contudo, a operação exige critérios rigorosos de seleção e envolve riscos, como complicações pós-operatórias e, em até 4% dos casos, mortalidade.

Outra opção ainda menos invasiva é a redução com válvulas, feita por broncoscopia. Pequenas válvulas são implantadas nos brônquios para bloquear o ar nas áreas mais doentes. Isso faz com que as partes atingidas ‘murchem’, facilitando o trabalho do pulmão saudável. Esse método geralmente requer internação mais curta, mas pode provocar complicações como o pneumotórax, uma espécie de colapso do pulmão em até 25% dos casos.

Escolha depende de avaliação rigorosa

Embora inovadoras, as intervenções não servem para todos. O caminho até lá começa pelo tratamento tradicional: medicações, reabilitação, controle do tabagismo e uso de oxigênio. "Essas técnicas são indicadas apenas para quem já esgotou todas as possibilidades clínicas e continua tendo grande limitação para as atividades da vida diária", explica Losso.

Para escolher a melhor abordagem, a equipe médica realiza exames detalhados, avaliando desde a capacidade de caminhar até exames sofisticados de função pulmonar e imagem. “A decisão precisa ser personalizada e tomada por uma equipe multidisciplinar experiente”, ressalta o cirurgião.

Doença silenciosa e prevalente

O enfisema segue como um desafio global: a Organização Mundial da Saúde estima que até 2030 a DPOC será uma das principais causas de morte no mundo. No Brasil, quase uma em cada cinco pessoas acima dos 40 anos convive com alguma forma da doença – e muitas sequer sabem disso, já que o diagnóstico costuma ocorrer em fases avançadas.

  • Mais de 400 milhões de pessoas vivem com DPOC no mundo.
  • A doença é responsável por até 4 milhões de mortes anuais.
  • No Brasil, a prevalência em adultos acima de 40 anos chega a 17%.
  • Os custos globais para tratar as doenças pulmonares devem alcançar US$ 5 trilhões até 2030.

A busca por melhor qualidade de vida motiva o avanço constante da medicina pulmonar. Para muitos, as novas técnicas representam a chance de respirar com menos sofrimento e mais dignidade.