Saúde Mental

Saúde Mental dos Profissionais da Saúde: Sete Estratégias Para Prevenir o Adoecimento

Alta incidência de Burnout e estresse reforça urgência de cuidados com equipes de hospitais no Brasil

Por Redação Brazil Health , 21/08/2025

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Saúde Mental dos Profissionais da Saúde: Sete Estratégias Para Prevenir o Adoecimento

O cenário da saúde mental entre profissionais de hospitais brasileiros acende um alerta: segundo pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), 86% relatam sintomas de Burnout e 81% convivem com altos níveis de estresse. As consequências vão de transtornos do sono à exaustão emocional, atingindo médicos, enfermeiros e equipes de apoio nas mais diferentes frentes dos serviços de saúde.

Além das jornadas longas, pressão constante e exposição diária ao sofrimento, esses trabalhadores enfrentam uma cultura organizacional que costuma legitimar o excesso de dedicação e o sofrimento psíquico como parte inevitável da profissão. “O desafio do setor é conciliar o propósito com uma organização do trabalho que preserve a saúde de quem cuida das pessoas”, destaca o médico-psicanalista André Fusco, especialista em ergonomia mental e consultor em saúde mental no trabalho.

O especialista chama atenção para o fenômeno do “presenteísmo”, no qual o profissional permanece no posto, mas sem plenas condições emocionais ou cognitivas para exercer suas funções. “Isso acaba sendo mais arriscado do que o afastamento do trabalho”, avalia Fusco. A recente atualização da Norma Regulamentadora NR-1, que impõe a gestão de riscos psicossociais a partir de 2026, amplia o debate sobre a importância de cuidar estrategicamente das equipes.

Inspirada nos estudos do psiquiatra francês Christophe Dejour, a Ergonomia Mental propõe uma abordagem profunda das relações de trabalho, indo além das adaptações físicas dos postos. A ideia é ajustar processos, metas e relações para que promovam saúde psíquica e pertencimento – fatores essenciais para o engajamento sustentável.

  • mapeamento do trabalho real: observação das rotinas para identificar riscos psicossociais e contextos críticos;
  • criação de espaços protegidos de escuta: rodas de conversa, canais anônimos e fóruns para acolher demandas sem julgamentos;
  • revisão de protocolos: adaptação de regras conforme as necessidades reais e sugestões das equipes técnicas;
  • formação de lideranças empáticas: gestores treinados para atuar com responsabilidade emocional e promover segurança psicológica;
  • reconhecimento estratégico: motivação contínua com valorização significativa, fortalecendo vínculos e sentido ao trabalho;
  • apoio estruturado ao retorno após adoecimento: planos personalizados de readaptação e acompanhamento ativo;
  • integração da saúde mental nas políticas institucionais: acompanhamento de indicadores e inclusão nas metas estratégicas.

De acordo com Fusco, hospitais que incorporam políticas de saúde mental observam não só redução de afastamentos e erros, mas avanços significativos em engajamento, clima organizacional e qualidade da assistência. “É uma questão de sustentabilidade: a saúde emocional de quem cuida determina o futuro da instituição”, conclui. Na visão do especialista, implementar essas estratégias é investir diretamente na solidez e na reputação do setor de saúde no Brasil.