Saúde do Coração

Barulho, ar poluído e calor extremo elevam risco de infarto e AVC

Cardiologista detalha como fatores do dia a dia afetam o coração e orienta formas de proteção

Por Redação Brazil Health , 09/11/2025

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Barulho, ar poluído e calor extremo elevam risco de infarto e AVC

Do barulho do trânsito ao ar ruim, passando por ondas de calor, estresse crônico e contaminantes: o ambiente das grandes cidades pode sobrecarregar o coração e aumentar a chance de infarto e AVC, mesmo em quem não tem histórico familiar.

Segundo o cardiologista e arritmologista Dr. Nilton Carneiro, do Centro de Cardiologia do Hospital Santa Catarina - Paulista, a exposição contínua a esses fatores deve ser acompanhada por profissionais e tratada de forma preventiva. “Antecipar-se ao problema é tão importante quanto cuidar depois”, afirma.

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que apenas 20% a 30% das doenças cardiovasculares decorrem de fatores não modificáveis, como genética e idade. “Isso mostra que ambiente e comportamento pesam mais na prevenção do que a herança genética”, diz o especialista.

Ar poluído aumenta risco

Mesmo quando considerada moderada, a poluição do ar já eleva o risco cardiovascular. Em São Paulo, partículas de poeira muito finas, conhecidas como PM2.5, frequentemente ultrapassam o recomendado pela OMS.

“Essa poeira penetra nos pulmões, alcança a corrente sanguínea e desencadeia inflamação e estresse oxidativo, o que favorece o entupimento das artérias e a formação de coágulos”, explica Carneiro. O resultado é maior probabilidade de infarto, AVC e arritmias.

Barulho e estresse em ciclo vicioso

O ruído constante mantém o organismo em estado de alerta e desregula hormônios do estresse, como cortisol e adrenalina, elevando a pressão arterial. A falta de áreas verdes e de tempo para relaxar agrava o quadro.

“A exposição crônica ao barulho faz o corpo operar no modo tensão, o que altera o fluxo sanguíneo e inflama o organismo”, afirma o médico. Para ele, políticas públicas que reduzam o ruído urbano e o tráfego são fundamentais para proteger a saúde.

Calor extremo e contaminantes

Ondas de calor provocam desidratação, engrossam o sangue e aumentam a carga de trabalho do coração. Idosos, hipertensos, pessoas com insuficiência cardíaca, doença coronariana e quem usa diuréticos são mais vulneráveis.

Substâncias como chumbo, arsênio e compostos industriais também preocupam. “Mesmo em baixas doses, a exposição contínua acelera a aterosclerose e pode levar a hipertensão, arritmias e insuficiência cardíaca”, alerta Carneiro.

Para reduzir impactos, o especialista recomenda adotar medidas práticas no cotidiano. Veja orientações:

  • Evite poluição: não faça exercícios perto de vias muito movimentadas, use purificadores de ar em ambientes fechados e acompanhe os índices de qualidade do ar.
  • Controle o estresse: pratique técnicas de respiração, meditação e atenção plena; busque parques e áreas verdes com frequência.
  • Cuide-se no calor: aumente a ingestão de líquidos em dias muito quentes e evite treinos intensos nos horários de pico de temperatura.
  • Olho na água: utilize filtros de qualidade para reduzir a exposição a metais como chumbo e arsênio.
  • Proteja a audição: use protetores quando necessário, reduza o ruído em casa e no trabalho e faça pausas em ambientes silenciosos.

O médico reforça que quem vive em áreas muito barulhentas ou poluídas deve discutir estratégias de proteção com seu cardiologista, mesmo sem sintomas. “Prevenir é o melhor remédio para manter o coração saudável em meio aos desafios da cidade”, conclui.