Saúde Bucal

Saúde Bucal: o Direito Que Ainda Não Chega a Todos

Levantamento mostra que só 23% das consultas odontológicas são pelo SUS; especialistas pedem mais prevenção e integração com a atenção básica.

Por Redação Brazil Health , 25/10/2025

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Saúde Bucal: o Direito Que Ainda Não Chega a Todos

O Dia do Cirurgião-Dentista e o Dia Nacional da Saúde Bucal, comemorados em 25 de outubro, trazem um alerta: apesar dos avanços, o acesso ao cuidado odontológico segue restrito para milhões de brasileiros.

Segundo pesquisa da ABIMO, com apoio do Conselho Federal de Odontologia, apenas 23% das consultas odontológicas no país são realizadas pelo SUS, o que evidencia a dependência do setor privado e escancara desigualdades no atendimento.

“Saúde bucal não é luxo nem só estética; é parte da saúde do corpo inteiro”, afirma a odontopediatra Sofia Takeda Uemura, diretora da Faculdade de Odontologia da APCD (FAOA). “Quando o acesso falha, a qualidade de vida cai.”

Dados expõem a distância entre ricos e pobres

O estudo aponta que 80% das pessoas com renda acima de 10 salários mínimos consultaram um dentista no último ano. Entre quem ganha até um salário mínimo, esse índice cai para 59%.

A escolaridade também pesa: 75% dos brasileiros com ensino superior buscaram atendimento, contra 54% entre quem tem educação básica. Ao todo, 32% da população não foi ao dentista no último ano.

“É como ter uma farmácia completa em uma cidade onde poucos podem entrar”, resume Uemura, ao destacar que o Brasil é referência em formação e indústria odontológica, mas ainda falha em garantir acesso amplo.

Brasil Sorridente avança, mas não resolve tudo

Criado em 2004, o Brasil Sorridente ampliou a oferta de serviços no SUS, mas a infraestrutura ainda é insuficiente em muitas regiões, principalmente para casos complexos, e a capacidade de atendimento segue limitada.

“É preciso ampliar a cobertura e qualificar a rede para cirurgias, próteses e tratamentos especializados”, diz a especialista. “Sem isso, a fila cresce e o problema volta.”

Integração e prevenção são caminhos

As consequências da falta de cuidado vão além da boca: cáries, gengivites e infecções afetam a mastigação, a fala e a autoestima, além de agravar doenças crônicas. “Não se trata de vaidade: é saúde integral”, reforça Uemura.

Para ela, o dentista deve estar integrado às equipes multiprofissionais, da atenção básica ao hospital, com atuação em odontopediatria, odontogeriatria e no atendimento a pacientes com necessidades especiais.

“Investir em prevenção é mais eficaz e barato do que enxugar gelo depois”, afirma. “Inserir o cirurgião-dentista em todas as equipes de saúde ajuda a detectar problemas cedo e evita internações.”

Nesta data, especialistas defendem transformar a saúde bucal em direito efetivo: fortalecer a prevenção, ampliar a cobertura do Brasil Sorridente e integrar a odontologia ao cuidado integral para que todos possam, de fato, sorrir com saúde.