Saúde Bucal

Boca doente pode elevar risco de AVC: estudo liga cáries e doença das gengivas

Acompanhamento de longo prazo indica incidência maior de derrame em quem tem cáries e inflamação na gengiva; especialistas reforçam higiene e consultas regulares

Por Redação Brazil Health , 27/11/2025

3 min de leitura

Boca doente pode elevar risco de AVC: estudo liga cáries e doença das gengivas

Um estudo publicado na revista Neurology Open Access reforça a conexão entre saúde bucal e o risco de derrame. Segundo os autores, a combinação de cáries e doença das gengivas esteve associada a um aumento de 86% no risco de AVC isquêmico.

A pesquisa acompanhou mais de 5 mil adultos, com média de 63 anos e sem histórico de AVC, por até 20 anos. Nesse período, 10% dos participantes com cáries e problemas na gengiva tiveram derrame, ante 4% entre pessoas com boa saúde bucal.

Os pesquisadores também observaram que a má saúde bucal se relacionou a 36% mais chance de infarto e outras complicações cardiovasculares. Trata-se de uma associação estatística, não de prova de causa e efeito, mas os resultados acendem um alerta.

Cristiano Demartini, dentista e CEO da OdontoTop, afirma que a atenção à boca deve fazer parte da rotina de quem tem fatores de risco como diabetes, hipertensão e histórico familiar. “A boca passa a ser um marcador da saúde do corpo, revelando riscos que vão além do consultório”, diz.

Como a inflamação na boca afeta o corpo

De acordo com Demartini, inflamações crônicas na gengiva favorecem a entrada de bactérias na corrente sanguínea, estimulando a formação de placas que podem entupir artérias. Esse processo aumenta a chance de infarto e AVC.

“Esse estado inflamatório prolongado está associado ao estreitamento de artérias e à alteração da função dos vasos, mecanismos que disparam eventos cardíacos e cerebrais”, explica o especialista.

Na prática, a saúde bucal ruim funciona como um sinal de alerta para inflamações silenciosas no organismo. Identificar e tratar precocemente problemas na gengiva e cáries pode reduzir essa carga inflamatória.

Consultas regulares protegem

O estudo apontou efeito protetor das visitas periódicas ao dentista. Quem mantinha consultas regulares tinha 81% menos chance de apresentar, ao mesmo tempo, gengivite e cáries, e 29% menos chance de ter apenas doença das gengivas.

“Visitas regulares, diagnóstico precoce, tratamento adequado e uma rotina eficaz de escovação e fio dental reduzem substancialmente as lesões inflamatórias na boca”, afirma Demartini. “Assim, diminuem mediadores inflamatórios e protegem contra alterações vasculares silenciosas.”

Além da higiene diária, o acompanhamento profissional ajuda a ajustar hábitos, orientar uso de flúor e controlar fatores que agravam a inflamação, como tabagismo e descontrole do açúcar no sangue.

A integração entre odontologia e outras especialidades médicas tende a ganhar espaço, com benefícios para prevenção cardiovascular e neurológica. A ideia é olhar a boca como parte da saúde integral.

Para o leitor, a mensagem é simples: manter a gengiva saudável e tratar cáries não é só cuidar do sorriso. É também uma estratégia de proteção do coração e do cérebro ao longo da vida.

Especialistas lembram, por fim, que estudos observacionais servem como guia, e não sentença. Ainda assim, os dados reforçam um caminho seguro: higiene diária correta e consultas regulares ao dentista.