Rótulo Zero

'Zero' no Rótulo Não Garante Alimento Saudável e Exige Atenção à Composição Total

Endocrinologista explica riscos e limitações de produtos zero açúcar, gordura e lactose, e aponta caminhos para escolhas mais saudáveis.

Por Redação Brazil Health , 18/09/2025

3 min de leitura

'Zero' no Rótulo Não Garante Alimento Saudável e Exige Atenção à Composição Total

Produtos com rótulos como “zero açúcar”, “zero gordura” e “zero lactose” estão cada vez mais presentes na rotina de quem busca perder peso e ter mais qualidade de vida. No entanto, escolher alimentos apenas por esses selos não garante necessariamente uma dieta mais saudável.

“Zero não é sinônimo de saudável”, afirma a endocrinologista Dra. Lorena Lima Amato, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Segundo ela, embora a troca inicial de bebidas açucaradas por versões zero possa ajudar na redução de calorias e, em alguns casos, contribuir para uma perda de peso modesta, o efeito costuma ser breve e não se sustenta sem mudanças no estilo de vida.

Muitos alimentos e bebidas “zero” possuem adoçantes e diversos aditivos que, mesmo não elevando o açúcar no sangue, ainda podem trazer consequências desconhecidas a longo prazo. A especialista destaca que o mais importante é olhar toda a composição do produto. “Um alimento pode ser zero gordura mas ter alto teor de açúcar, ou zero açúcar porém carregado de corantes e conservantes”, enfatiza Dra. Lorena.

Dra. Lorena orienta ainda sobre as diferenças entre os adoçantes: “O aspartame, por exemplo, é contraindicado para quem tem fenilcetonúria, enquanto a estévia tem origem vegetal e costuma ser vista como alternativa ‘menos pior’.” Segundo ela, todos os adoçantes devem ser utilizados com moderação, dentro de um plano alimentar equilibrado.

Apesar de algumas suposições de que alimentos muito doces e sem calorias poderiam aumentar o apetite depois, as evidências são inconclusivas. “O efeito tende a ser neutro. Para controlar o apetite, o ideal é priorizar alimentos in natura, ricos em fibras e proteínas, e prestar atenção ao contexto da refeição”, orienta a endocrinologista.

  • não existe recomendação formal para substituir totalmente bebidas açucaradas por versões zero
  • produtos zero lactose servem apenas para quem tem intolerância
  • zero gordura pode esconder alto teor de carboidratos prejudiciais ao colesterol e triglicerídeos
  • consumo de ultraprocessados, mesmo “zero”, deve ser sempre limitado

Para pessoas com diabetes ou pré-diabetes, os limites de consumo de adoçantes diários são altos e difíceis de serem ultrapassados apenas pela alimentação comum. Mas a endocrinologista alerta: “O foco deve ser qualidade da dieta, fracionamento adequado das refeições, hidratação e redução gradual da necessidade de sabores excessivamente doces.”

Portanto, a recomendação de especialistas é simples: não se deixe levar apenas pela promessa do “zero” no rótulo. O ideal é investir no consumo de água, alimentos frescos, integrais e evitar a dependência de produtos ultraprocessados, mesmo em suas versões ditas mais saudáveis.