Ortopedia

Vacina contra herpes-zóster se mostra segura em pacientes com doenças reumáticas, diz estudo

Pesquisa da Faculdade de Medicina da USP acompanhou mais de 1,1 mil pessoas com lúpus e artrite reumatoide e não encontrou aumento de piora da doença após a imunização, inclusive em uso de imunossupressores.

Por Redação Brazil Health , 18/03/2026

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Vacina contra herpes-zóster se mostra segura em pacientes com doenças reumáticas, diz estudo

Um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) concluiu que a vacina recombinante contra herpes-zóster pode ser aplicada com segurança em pessoas com doenças reumáticas autoimunes. A pesquisa, publicada na revista The Lancet Rheumatology, é a maior já feita no mundo sobre o tema e traz dados relevantes para um grupo com maior risco de infecções por ter o sistema imunológico comprometido pela própria doença e pelos tratamentos.

Os pesquisadores acompanharam 1.192 pacientes com nove diagnósticos reumáticos diferentes, incluindo lúpus e artrite reumatoide. O trabalho avaliou dois pontos principais: se a vacina aumenta o risco de agravamento do quadro reumático e se é capaz de gerar resposta de defesa adequada no organismo.

Sem aumento de piora da doença após a vacinação

Segundo os resultados, a vacinação não elevou a ocorrência de “flares”, termo usado para descrever períodos de piora ou reativação dos sintomas. A taxa de agravamento foi de 14% entre os vacinados, número semelhante ao observado no grupo que recebeu placebo (15%), sem diferença estatística.

“Este estudo preenche uma lacuna importante de evidência científica e oferece maior segurança para médicos e pacientes. Demonstramos que a vacina pode ser administrada com segurança em uma população altamente vulnerável, inclusive em pacientes jovens, com doença ativa e em uso de imunossupressores”, afirmou a reumatologista Eloisa Bonfá, professora titular da FMUSP e líder do estudo.

Resposta imune alta, mas pode variar com alguns medicamentos

Além da segurança, a pesquisa apontou que cerca de 90% dos participantes desenvolveram uma resposta de anticorpos considerada adequada após as duas doses. O estudo também identificou que alguns imunossupressores podem reduzir essa resposta, como rituximabe e micofenolato de mofetila, o que indica a necessidade de planejamento individualizado do melhor momento para vacinar.

Outro achado foi a ocorrência menor de queixas como dor no local da aplicação e febre entre os pacientes reumáticos, quando comparados ao grupo de pessoas saudáveis usado como controle.

O que muda para pacientes e médicos

Na avaliação dos autores, os dados dão suporte a recomendações internacionais recentes sobre a vacinação contra herpes-zóster em pessoas com doenças autoimunes e podem influenciar futuras diretrizes clínicas. Para pacientes, a principal implicação é reduzir a insegurança em torno da imunização, especialmente entre aqueles com doença ativa ou em tratamento com medicamentos que diminuem a imunidade.