Ortopedia

Novas diretrizes mudam tratamento da fibromialgia e priorizam exercícios e terapia

Documento da Sociedade Brasileira de Reumatologia atualiza recomendações de 2010 e reforça cuidados contínuos, com metas realistas e menos dependência de remédios para controlar dor, sono e fadiga.

Por Redação Brazil Health , 13/05/2026

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Novas diretrizes mudam tratamento da fibromialgia e priorizam exercícios e terapia

A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) publicou novas diretrizes para o tratamento da fibromialgia, síndrome marcada por dor crônica generalizada e que pode vir acompanhada de fadiga, alterações do sono e dificuldades cognitivas. A atualização, que substitui recomendações de 2010, orienta médicos e pacientes a priorizarem estratégias não farmacológicas e a usar medicamentos de forma mais criteriosa.

A condição afeta cerca de 2,5% a 3% da população brasileira e é considerada uma das doenças reumatológicas mais comuns. Além do sofrimento individual, a fibromialgia costuma impactar a capacidade de trabalho e a rotina, com custos sociais e econômicos relevantes.

“O manejo eficaz da fibromialgia exige uma abordagem interdisciplinar, contínua e centrada no paciente, uma vez que a síndrome está relacionada principalmente a alterações no processamento central da dor e costuma coexistir com quadros como ansiedade e depressão”, afirma o reumatologista José Eduardo Martinez, presidente da SBR.

O que muda no acompanhamento

As diretrizes destacam a necessidade de monitorar a gravidade da doença e a resposta ao tratamento com instrumentos padronizados, o que ajuda a ajustar condutas ao longo do tempo. Entre as ferramentas citadas no documento estão questionários já usados na prática clínica e disponíveis em português, como o Revised Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQR) e o Fibromyalgia Survey Questionnaire (FSQ).

O texto também reforça que, embora dor, fadiga e distúrbios do sono sejam alvos centrais, a avaliação deve incluir aspectos emocionais, cognitivos, funcionais e até metabólicos, como a obesidade, que pode agravar sintomas e limitar a recuperação.

Exercícios, educação e apoio psicológico ganham peso

Segundo a SBR, intervenções com melhor nível de evidência incluem educação do paciente e da família, programas de exercícios físicos (combinando atividades aeróbicas e treino de força) e terapias psicológicas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental e a Terapia de Aceitação e Compromisso.

O documento cita ainda técnicas de neuromodulação e acupuntura como opções para alívio da dor, especialmente no curto prazo. Práticas como tai chi chuan e exergames podem ser consideradas como apoio, desde que não substituam o tratamento convencional.

Martinez afirma que equipes interdisciplinares tendem a oferecer melhores resultados do que o cuidado exclusivamente médico. A recomendação inclui integração entre profissionais como médicos, fisioterapeutas, psicólogos, educadores físicos e nutricionistas, de acordo com as necessidades de cada paciente.

Medicamentos: uso racional e menos opções sem eficácia comprovada

No tratamento farmacológico, as diretrizes ressaltam que remédios podem aliviar sintomas e melhorar a funcionalidade, mas não costumam controlar a síndrome por completo quando usados isoladamente. Entre as opções com melhor evidência, o documento cita amitriptilina (com foco em dor e sono), duloxetina (benefício moderado para dor) e pregabalina (com impacto em dor, sono e qualidade de vida).

Ao mesmo tempo, a SBR aponta falta de evidência suficiente para recomendar formalmente alguns antidepressivos, como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina, e também a gabapentina. O texto é enfático ao desaconselhar o uso rotineiro de opioides, anti-inflamatórios, canabinoides, benzodiazepínicos e terapias intravenosas, citando ausência de eficácia comprovada e risco de efeitos adversos.

As diretrizes também esclarecem um ponto comum de dúvida: a fibromialgia não é uma doença autoimune. Trata-se de uma síndrome associada principalmente a alterações no processamento da dor, frequentemente acompanhada de sintomas emocionais, o que reforça a necessidade de um plano de cuidado individualizado e de acompanhamento contínuo.