Ortopedia

Lúpus pode atingir os rins sem sintomas e levar à necessidade de diálise

Por Redação Brazil Health , 21/05/2026

3 min de leitura

Lúpus pode atingir os rins sem sintomas e levar à necessidade de diálise

Comprometimento renal relacionado ao lúpus pode avançar antes dos primeiros sinais evidentes; especialistas alertam que exames simples ajudam no diagnóstico precoce e reduzem o risco de insuficiência

Uma das complicações mais graves do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), a nefrite lúpica pode avançar de forma silenciosa e comprometer de maneira permanente a função dos rins. O alerta ganha força em maio, mês de conscientização sobre o lúpus, porque a doença muitas vezes é lembrada por sinais na pele, enquanto o dano renal pode não dar sinais claros no início.

Estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia indicam que entre 75 mil e 150 mil brasileiros convivam com nefrite lúpica. O problema é mais frequente em mulheres jovens e em pessoas negras, grupo que também tende a apresentar maior risco de evolução grave, influenciado por fatores genéticos e por desigualdades no acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

A nefrite lúpica ocorre quando o sistema imunológico, em vez de proteger o organismo, produz anticorpos que se depositam nos glomérulos – estruturas dos rins responsáveis por filtrar o sangue. Esse processo gera inflamação e pode reduzir a capacidade do órgão de eliminar toxinas e controlar o equilíbrio de líquidos.

Por que a doença passa despercebida

Os sintomas iniciais podem ser pouco específicos, como cansaço e dores nas articulações, comuns também em outras condições. Quando há sinais relacionados aos rins, eles costumam aparecer mais tarde. “Nos estágios iniciais, a doença pode não causar sintomas evidentes. A dor não é um sintoma comumente associado aos rins, mesmo quando existe inflamação”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia, José Moura-Neto.

Segundo publicação da Sociedade Europeia de Medicina, cerca de 60% das pessoas com lúpus desenvolvem nefrite lúpica ao longo da vida, e até 30% podem evoluir para perda irreversível da função renal, com possibilidade de necessidade de hemodiálise.

Exames de rotina ajudam no diagnóstico

O diagnóstico precoce pode ser favorecido por exames simples. “O exame de urina pode detectar proteínas ou sangue, enquanto o exame de creatinina no sangue avalia a função renal”, diz Moura-Neto. Ele ressalta que o acompanhamento regular com reumatologista e, quando indicado, com nefrologista é importante para monitorar a atividade do lúpus e identificar alterações renais logo no início.

Tratamento e riscos

Embora existam terapias disponíveis, parte dos pacientes não alcança controle adequado da inflamação renal com os esquemas mais usados, geralmente baseados em corticoides e imunossupressores. A nefrite lúpica também está associada a pior prognóstico: pacientes com comprometimento renal podem ter risco de morte de duas a seis vezes maior do que aqueles com lúpus sem envolvimento dos rins, e casos graves com necessidade de UTI podem apresentar mortalidade elevada.

Apesar disso, o controle é possível quando o problema é identificado cedo. “Quando diagnosticada precocemente e tratada adequadamente, a doença pode ser controlada”, afirma o nefrologista. O objetivo, segundo ele, é reduzir a inflamação e evitar danos permanentes aos rins e a outros órgãos, permitindo que muitos pacientes mantenham a rotina de trabalho, estudo e atividades do dia a dia.