Resistência Antimicrobiana

Resistência antimicrobiana avança no Brasil e pressiona hospitais e pacientes

Uso prolongado de antibióticos sem exames e desigualdade no acesso ao diagnóstico ampliam mortes e custos, alertam especialistas em patologia clínica

Por Redação Brazil Health , 26/01/2026

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Resistência antimicrobiana avança no Brasil e pressiona hospitais e pacientes

A resistência antimicrobiana cresce no Brasil e escancara fragilidades do cuidado em saúde: prescrição empírica prolongada, falhas no diagnóstico microbiológico e acesso desigual a exames. O resultado é aumento de mortes, internações mais longas e pressão financeira sobre o sistema de saúde público e privado.

Segundo André Doi, patologista clínico e diretor científico da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), ainda é comum tratar infecções sem confirmação laboratorial do agente e do perfil de resistência. “Essa prática compromete a efetividade dos tratamentos, eleva a mortalidade, prolonga o tempo de internação e pressiona os custos assistenciais”, afirma.

Nos laboratórios, a tendência preocupa: crescem as infecções por bactérias multirresistentes, incluindo microrganismos que produzem enzimas capazes de inativar antibióticos de última linha. Também se observam altas taxas de resistência em bactérias hospitalares como Pseudomonas e Acinetobacter, o que limita opções terapêuticas e dificulta o controle de surtos.

Diagnóstico rápido orienta terapia e evita desperdícios

Nesse cenário, o laboratório de microbiologia ganha papel central. Além do antibiograma, a conduta clínica depende cada vez mais de testes confirmatórios e métodos moleculares, que identificam mecanismos específicos de resistência. “O diagnóstico laboratorial rápido e preciso é um pilar no enfrentamento da resistência antimicrobiana”, diz Doi. “Ele permite identificar precocemente o agente, detectar mecanismos de resistência, orientar a terapia adequada e possibilitar o descalonamento seguro do antibiótico, reduzindo a pressão seletiva sobre as bactérias.”

Quando antibióticos são usados sem suporte diagnóstico, as consequências incluem falhas terapêuticas, eventos adversos e infecções prolongadas ou recorrentes. No nível do sistema, aumentam as internações, o tempo de permanência hospitalar e a necessidade de medicamentos mais caros, ao mesmo tempo em que se acelera a disseminação de microrganismos resistentes.

Saúde Única: impacto da agropecuária e do ambiente

O uso de antibióticos na agropecuária também contribui para a seleção e a circulação de genes de resistência no ambiente. Esses mecanismos podem retornar à população por meio da cadeia alimentar, da água e do contato ambiental – uma dinâmica que reforça o conceito de Saúde Única, integrando saúde humana, animal e ambiental.

Uso racional e investimento em estrutura

Para conter o avanço da resistência, Doi destaca a responsabilidade compartilhada entre população, profissionais e gestores. “Antibiótico não é um medicamento inofensivo e não deve ser utilizado sem critério”, alerta. Segundo ele, a população deve utilizá-lo apenas com prescrição e orientação, enquanto equipes de saúde precisam incorporar o diagnóstico laboratorial de qualidade como parte essencial do cuidado.

Investir em exames microbiológicos rápidos e confiáveis, em profissionais especializados e em laboratórios estruturados, conclui o especialista, é medida que salva vidas, preserva a eficácia dos antibióticos disponíveis e contribui para a sustentabilidade do sistema de saúde.