Reprodução Assistida

Câncer de próstata: congelamento de sêmen preserva chance de ter filhos

Quimio, rádio e cirurgia podem causar infertilidade; orientação é congelar sêmen antes do tratamento para manter o plano de formar família

Por Redação Brazil Health , 15/11/2025

3 min de leitura

Câncer de próstata: congelamento de sêmen preserva chance de ter filhos

Com mais de 71 mil novos casos de câncer de próstata previstos pelo INCA neste ano, cresce a atenção aos efeitos dos tratamentos sobre a fertilidade masculina.

Oncologistas e especialistas em reprodução recomendam que o tema seja discutido logo no diagnóstico, para que o paciente conheça as opções de preservação antes de iniciar a terapia.

Tratamentos podem afetar espermatozoides

A quimioterapia, embora essencial contra o tumor, pode reduzir a quantidade e a qualidade dos espermatozoides. “Alguns medicamentos lesam o DNA e a estrutura das células testiculares, o que pode levar à ausência temporária ou até permanente de espermatozoides”, afirma o Dr. Maurício Chehin, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

Na radioterapia, o risco é maior quando a radiação atinge a região pélvica. “A dose e o local irradiado influenciam o impacto sobre os tecidos que produzem os espermatozoides”, explica o médico.

Em alguns casos, a retirada total da próstata — procedimento indicado para certos pacientes — interrompe a passagem do sêmen, causando infertilidade mesmo que os testículos continuem produzindo espermatozoides.

Fatores como idade, tipo de droga, dose e tempo de tratamento também pesam no risco reprodutivo, reforçando a importância de uma avaliação individualizada.

Como funciona o congelamento

A criopreservação do sêmen é a estratégia mais indicada para manter a possibilidade de ter filhos no futuro. “Congelar o material antes da terapia oncológica preserva a fertilidade e dá ao paciente a chance de planejar a família quando estiver pronto”, diz Chehin.

O processo é simples: o material é coletado em laboratório e armazenado em nitrogênio líquido por tempo indeterminado, com manutenção da viabilidade em longo prazo.

Depois do tratamento, o sêmen congelado pode ser utilizado em inseminação artificial — quando o material é colocado no útero no período fértil — ou em fertilização in vitro. “Na FIV, o óvulo é fecundado em laboratório e o embrião é transferido para o útero”, detalha o especialista.

Na prática, podem ser coletadas uma ou mais amostras, conforme orientação médica. O procedimento costuma ser rápido e não atrasa o início do tratamento oncológico.

Planejamento e acolhimento

O diagnóstico de câncer costuma vir acompanhado de dúvidas e ansiedade. “O ideal é que o assunto seja abordado pelo oncologista ainda no início, para que o paciente decida com calma e segurança”, reforça Chehin.

Equipes multidisciplinares de oncologia e reprodução assistida ajudam a definir a melhor estratégia, considerando o tipo de tumor, o protocolo terapêutico e os desejos reprodutivos do paciente.

Com informação e planejamento, é possível enfrentar o câncer sem abrir mão do projeto de formar uma família no futuro.