Relacionamentos Tóxicos

Síndrome do Dedo Podre: Como Relacionamentos Tóxicos Podem Aumentar o Risco de Suicídio

No Setembro Amarelo, especialistas chamam atenção para padrões emocionais que levam à repetição de vínculos abusivos e aumentam o risco de suicídio feminino.

Por Redação Brazil Health , 22/09/2025

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Síndrome do Dedo Podre: Como Relacionamentos Tóxicos Podem Aumentar o Risco de Suicídio

Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio, a atenção costuma se voltar para temas como depressão e ansiedade. No entanto, um fator frequentemente negligenciado também merece espaço nas discussões: o impacto dos relacionamentos tóxicos na saúde mental das mulheres.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que mulheres envolvidas em relações abusivas enfrentam um risco até cinco vezes maior de tentativa de suicídio em comparação a quem está em vínculos saudáveis. O alerta reforça a importância de analisar os relacionamentos não apenas sob a ótica romântica, mas como possíveis gatilhos para sofrimento psíquico severo.

Segundo a psicóloga clínica Danny Silva, o chamado “dedo podre” – expressão popular para a tendência de escolher parceiros abusivos – não se trata de azar: “O sistema emocional busca familiaridade, não segurança. Mesmo que racionalmente a pessoa prometa não repetir o padrão, inconscientemente ela acaba atraindo parceiros semelhantes — só que em nova embalagem”, explica.

Esses padrões, afirma a especialista, começam muitas vezes na infância, quando o conceito de amor é construído a partir de experiências marcadas por rejeição, abandono ou dor. O resultado pode ser a repetição de ciclos nocivos, que afetam autoestima e aumentam o isolamento.

Mesmo enfrentando sofrimento, muitas mulheres relatam enorme dificuldade para romper com relações tóxicas. Entre os principais motivos, estão:

  • repetição de traumas antigos – tentativa inconsciente de “curar” dores da infância
  • padrões de vinculação – associação entre amor e experiências já conhecidas, mesmo que negativas
  • dependência emocional – sensação de incapacidade de viver sem o parceiro

“Quando o amor adoece, pode se tornar um gatilho de morte silenciosa”, alerta Danny Silva. Para muitas, a dor emocional causada por esses vínculos pode levar à desesperança e, em casos extremos, à ideação suicida. “A prevenção do suicídio também passa por discutir vínculos adoecidos. Muitas mulheres não querem morrer – querem se libertar da prisão emocional em que vivem”, acrescenta.

Apesar das dificuldades, especialistas reforçam que é possível romper o ciclo de relacionamentos tóxicos. Entre as abordagens terapêuticas mais recomendadas, estão:

  • terapia sistêmica familiar – identifica padrões herdados de gerações anteriores
  • terapia do esquema – trabalha as feridas emocionais relacionadas a abandono e rejeição
  • terapia focada no apego (EFT) – fortalece vínculos seguros
  • terapia cognitivo-comportamental (TCC) – reestrutura pensamentos e percepções sobre amor

O processo, segundo Danny Silva, deve priorizar a reconstrução do amor-próprio e a valorização pessoal. “Relacionamento nenhum vale a sua vida. É possível quebrar ciclos e construir vínculos saudáveis, começando pelo amor-próprio”, conclui.