Relacionamento

Relações Afetivas Entre Idosos: Amor, Autoestima e Qualidade de Vida Após os 60 Anos

Reality show acende debate sobre relações amorosas na terceira idade e mostra benefícios de novos vínculos afetivos após os 60 anos.

Por Redação Brazil Health , 07/10/2025

3 min de leitura

Relações Afetivas Entre Idosos: Amor, Autoestima e Qualidade de Vida Após os 60 Anos

O amor não tem idade – e é isso que o sucesso recente do reality show “Casamento às Cegas Brasil 50+” na Netflix vem mostrando ao público brasileiro. Pela primeira vez, o programa convidou participantes acima dos 50 anos para buscar um novo amor, gerando apenas três casais finais, mas muitos debates sobre afetividade na terceira idade.

Romance traz bem-estar e autoestima

Para a psicóloga Valmari Cristina Aranha Toscano, membro da Comissão de Formação Gerontológica da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), relacionar-se na maturidade não apenas é possível como pode transformar a saúde emocional e a disposição para a vida. "O amor acontece de maneiras diferentes em cada etapa da vida. Se relacionar na velhice faz a pessoa se sentir viva e socialmente inserida", explica Valmari.

Segundo a especialista, um relacionamento saudável depois dos 60 anos pode promover bem-estar e até estimular o autocuidado. "A autoestima melhora quando se está em uma relação saudável, principalmente após os 60, quando muitos ‘protocolos’ terminam", diz.

Tabus e desafios para viver o amor após os 60

Engana-se quem pensa que o romance na maturidade é igual ao de outras fases da vida. Segundo Valmari, as diferenças são influenciadas pela bagagem de experiências, hábitos e até pela interferência da família, que muitas vezes tenta “proteger” a pessoa idosa – mas pode acabar atrapalhando. “Muitos ainda veem a velhice como uma fase assexuada, e isso pode gerar resistência ou constrangimento quando um idoso busca um novo par”, relata.

Esse tabu pode levar idosos a esconderem relações, temendo o julgamento ou o excesso de cautela dos filhos e netos. Para Valmari, é importante respeitar os sentimentos da pessoa idosa e entender se a preocupação dos familiares faz sentido, para não barrar uma nova felicidade.

Etarismo e riscos emocionais também existem

Mesmo com disposição física e mental, quem busca um novo par depois dos 60 ainda enfrenta o preconceito pelo chamado etarismo — discriminação pela idade. Em um dos episódios do reality, uma participante de 70 anos percebeu que sua idade pesou na escolha amorosa. Para Valmari, é o momento de exercitar o autoconhecimento e a autoestima: "Idade não traz maturidade. O que faz a diferença é a experiência e a personalidade".

No final das contas, amar na maturidade é, acima de tudo, uma forma de se reinventar, se conectar e, como diz Valmari, “reaprender a viver com leveza e prazer, sem medo de julgamentos externos”.