Redes Sociais

Uso de redes sociais por crianças cresce e acende alerta para saúde mental

Pesquisa indica uso em massa entre menores; psicóloga e SBP lembram riscos e orientam limites por idade

Por Redação Brazil Health , 08/02/2026

3 min de leitura

Uso de redes sociais por crianças cresce e acende alerta para saúde mental

O acesso precoce a celulares e plataformas digitais colocou crianças e adolescentes no centro do debate sobre redes sociais. No Brasil, 83% dos usuários infantis e juvenis que navegam na internet mantêm contas nessas plataformas, segundo a TIC Kids Online 2024. Especialistas defendem limites claros e supervisão contínua para reduzir danos.

“O cérebro infantil ainda está em pleno desenvolvimento. Essa imaturidade cognitiva faz com que os pequenos sejam mais suscetíveis a estímulos viciantes e menos capazes de discernir os perigos implícitos no ambiente online”, afirma Suellen Martins, psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental.

Riscos para saúde mental e segurança

Algoritmos desenhados para maximizar o tempo de permanência aumentam a exposição de crianças a conteúdos e interações que capturam sua atenção. “O sistema de recompensa do cérebro, estimulado por curtidas e notificações, gera uma dependência de dopamina. Isso resulta em ansiedade e dificuldade de concentração em tarefas mais lentas, como a leitura”, diz Martins.

Segundo a psicóloga, a comparação com “vidas perfeitas” e o uso de filtros podem distorcer a autopercepção, afetar a autoestima e contribuir para comportamentos alimentares de risco. A falta de noção sobre privacidade amplia a vulnerabilidade: dados como localização, rotina familiar e informações escolares podem ser expostos sem que a criança perceba.

Há ainda a possibilidade de aliciamento e exploração por criminosos que se valem do anonimato e da velocidade de difusão de conteúdos. “O cyberbullying também é um risco nas redes, pois a rapidez com que o conteúdo se espalha pode gerar danos psicológicos profundos e duradouros na vítima”, acrescenta.

Quanto tempo de tela é recomendado

A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta limites de tempo de tela por faixa etária, sempre com supervisão e regras para horários sensíveis, como antes de dormir e durante as refeições:

  • 0 a 2 anos: não recomendar exposição a telas.
  • 2 a 5 anos: até 1 hora por dia, com um adulto acompanhando.
  • 6 a 10 anos: entre 1 e 2 horas diárias, com monitoramento contínuo.
  • 11 a 18 anos: até 3 horas por dia, evitando uso próximo ao sono e nas refeições.

As principais plataformas, como Instagram, TikTok e X, estabelecem 13 anos como idade mínima para criação de contas, alinhadas à legislação norte-americana de proteção de dados de menores (COPPA). Especialistas ressaltam que a regra busca restringir a coleta de informações pessoais de crianças e reduzir riscos de exposição.

O que pais e responsáveis podem fazer

Para reduzir danos, a orientação é combinar limites e diálogo aberto sobre o que é real e o que é fabricado nas redes. Entre as medidas recomendadas por profissionais da saúde mental estão:

  • Definir horários e duração de uso, com bloqueios noturnos e durante as refeições.
  • Ativar configurações de privacidade e revisar perfis e contatos das crianças.
  • Acompanhar conteúdos consumidos e discutir impactos de filtros e comparações.
  • Ensinar a não compartilhar dados pessoais e a reportar abordagens suspeitas.
  • Promover atividades off-line que favoreçam sono, estudo, leitura e lazer ativo.

“O uso consciente e supervisionado das redes sociais é um ato de proteção para as crianças. Os pais e responsáveis têm o papel de estabelecer limites e promover um diálogo aberto, garantindo que o desenvolvimento dos filhos seja saudável em todos os ambientes”, conclui Martins.