Cirurgia de Mão

Radioterapia no câncer de pele: quando é indicada e o que pode evitar

Tratamento pode ser usado sozinho ou após cirurgia em alguns tumores de pele e ajuda a reduzir o risco de retorno da doença, especialmente em regiões como face e couro cabeludo.

Por Redação Brazil Health , 28/05/2026

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Radioterapia no câncer de pele: quando é indicada e o que pode evitar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou uma série de sessões de radioterapia para tratar um carcinoma basocelular no couro cabeludo, após ter passado por cirurgia para retirada do tumor. O caso reacendeu uma dúvida comum: a radioterapia pode, de fato, tratar câncer de pele.

Segundo a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), a resposta é sim, mas a indicação depende do tipo de tumor, do estágio da doença e da possibilidade de cirurgia. Em alguns cenários, a radioterapia funciona como tratamento principal; em outros, é usada para complementar a cirurgia e diminuir a chance de recidiva.

O carcinoma basocelular – o mais frequente entre os cânceres de pele – costuma crescer de forma localizada e tem baixa probabilidade de se espalhar para outros órgãos. Ainda assim, quando não tratado a tempo, pode infiltrar camadas mais profundas, gerar feridas crônicas, dor e sangramentos, além de comprometer função e aparência, especialmente em áreas expostas.

Quando a radioterapia entra no tratamento

De acordo com o presidente da SBRT, Wilson José de Almeida Jr., a radioterapia é considerada quando a cirurgia não é a melhor opção ou quando há necessidade de reforçar o controle local após o procedimento. “Há muitos casos em que a cirurgia não é indicada, seja pela localização do tumor, por exemplo, em regiões da face onde o procedimento pode comprometer a estética do paciente ou em situações em que há risco de déficit motor ou outras condições de saúde associadas”, afirma.

Ele explica que a radioterapia também pode ser combinada à cirurgia quando o risco de retorno é maior. “Além disso, a radioterapia também pode ser utilizada em combinação com a cirurgia para aumentar o controle local da doença, principalmente quando existem margens positivas, mesmo que milimétricas, reduzindo o risco de recidiva”, diz.

Risco de recidiva e casos mais agressivos

A SBRT destaca que, em situações em que o tumor se espalha ao redor dos nervos, a chance de recidiva pode aumentar e a radioterapia complementar ganha peso na estratégia. “Nesses casos, sem o tratamento complementar da radioterapia, o risco de o tumor voltar pode chegar a 30% a 50%”, afirma Almeida Jr. Segundo ele, com radioterapia após a cirurgia, “o controle local da doença costuma ficar entre 80% e 90%”.

Em casos de retorno do câncer após uma ou mais cirurgias, o especialista afirma que o risco de nova recorrência pode passar de 40% a 50%, e que a radioterapia pode elevar as taxas de controle local para patamares estimados entre 75% e 90%.

Técnicas atuais e o que muda para o paciente

O avanço tecnológico também ampliou o uso da radioterapia em lesões superficiais, com maior precisão e preservação de tecidos ao redor. “Quando a máquina possui elétrons, conseguimos concentrar o tratamento exatamente sobre a área da lesão, com uma margem de segurança muito adequada”, explica Almeida Jr., ressaltando que, em muitos casos, é possível tratar a pele sem irradiar estruturas profundas.

Entre as alternativas disponíveis, a SBRT cita diferentes modalidades, como radioterapia com modulação de intensidade, radioterapia guiada por imagem e braquiterapia, em que a radiação é aplicada muito próxima da lesão.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam aumento dos casos de câncer de pele não melanoma no país: a estimativa passou de cerca de 220 mil novos casos ao ano (triênio 2023–2025) para aproximadamente 263.280 por ano (triênio 2026–2028). O tipo não melanoma representa mais de um terço dos tumores malignos diagnosticados no Brasil.

Almeida Jr. alerta para sinais que devem levar à avaliação médica. “Ao identificar lesões diferentes no corpo, feridas que não cicatrizam, pintas que mudam de aspecto ou manchas suspeitas, o paciente deve procurar imediatamente um dermatologista”, afirma. Ele reforça que a prevenção segue central, com uso diário de protetor solar e redução da exposição ao sol nos horários de maior intensidade.