Telerradiologia avança no Brasil e empresa projeta R$ 70 milhões até 2026
Demanda crescente por exames de imagem e falta de radiologistas levam hospitais a buscar apoio remoto para manter prazos de laudos, inclusive à noite e nos fins de semana.
Por Redação Brazil Health , 22/05/2026
4 min de leitura
A telessaúde deixou de ser exceção e passou a integrar a rotina de serviços de saúde no país, movimento que tem ampliado a procura por apoio diagnóstico, como os laudos de exames de imagem. Dados do governo federal citados por uma empresa do setor apontam 2,5 milhões de atendimentos em telessaúde em 2024, refletindo a consolidação do modelo em redes públicas e privadas.
Ao mesmo tempo, o envelhecimento da população tende a pressionar ainda mais a demanda por exames. Um relatório do Fórum Econômico Mundial, em parceria com a AARP, estima que a proporção de brasileiros com 60 anos ou mais pode ultrapassar 30% até 2050. Hoje, esse grupo representa 15,8% da população, segundo o IBGE. A expectativa é de aumento expressivo na realização de exames, já que pessoas idosas costumam fazer de 6 a 8 vezes mais procedimentos do que adultos mais jovens.
Nesse cenário, a formação de radiologistas não cresce no mesmo ritmo, o que cria um gargalo para hospitais e clínicas que precisam manter prazos de entrega de laudos. A diferença entre volume de exames e capacidade de leitura afeta diretamente o fluxo de atendimento, especialmente em horários de menor cobertura médica.
É nesse contexto que a VX Medical Innovation, empresa mineira de telerradiologia, afirma que pretende chegar a um faturamento de cerca de R$ 70 milhões em 2026, com foco em serviços hospitalares, inteligência artificial e aquisições.
Pressão por prazos e cobertura em horários críticos
Segundo o CEO da VX Medical, André Morganti, a dificuldade central não se resume a falta pontual de profissionais, mas à necessidade de escala para lidar com volume, prazo e cobertura 24 horas. “O que observamos na operação das instituições é um desequilíbrio entre a geração de exames e a capacidade de laudar dentro do hospital. Não é uma questão pontual de falta de médico, mas de escala, principalmente quando se considera volume, prazo e cobertura ao longo de 24 horas”, afirma.
De acordo com Morganti, a telerradiologia vem sendo adotada como uma extensão operacional dos hospitais para dar conta de picos de demanda e manter o fluxo assistencial. “O hospital mantém o corpo clínico, mas precisa garantir prazo. Quando o volume aumenta ou quando se entra em períodos críticos, como madrugada e fim de semana, essa capacidade precisa ser complementada para manter o fluxo assistencial”, diz.
IA e plataforma para padronizar laudos
A empresa afirma atender hospitais em 25 das 27 unidades federativas e diz ter mais de 300 instituições na base. Para sustentar a operação contínua, utiliza uma plataforma própria com monitoramento de desempenho e revisão sistemática de laudos, além de recursos de inteligência artificial voltados a organizar fluxos e acelerar etapas do trabalho.
Uma das apostas citadas é a plataforma Wind, descrita como um assistente para médicos. Segundo a empresa, houve aumento de qualidade e produtividade em parte dos profissionais que usam a ferramenta. Morganti afirma que o impacto vai além da velocidade. “O ganho não está só em velocidade, mas em organização do raciocínio e consistência na forma como o laudo é estruturado, além de produtividade, incremento de qualidade e padronização”, afirma.
Próximos passos incluem serviços e aquisições
Para 2026, a VX Medical diz que pretende ampliar o modelo de serviços hospitalares, reforçar rotinas de qualidade dos laudos e avançar em estratégias de fusões e aquisições. O CEO avalia que o crescimento traz desafios de controle e padronização. “O crescimento traz complexidade operacional. Sustentar esse volume exige consistência na entrega, controle de processo e capacidade de manter um alto padrão de qualidade à medida que a operação se expande”, afirma.
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