Angiologia

Saúde digital e humanização avançam para reduzir falhas e insegurança no atendimento

Tecnologias como prontuários integrados e inteligência artificial podem ajudar a organizar o cuidado, mas especialistas lembram que comunicação clara e escuta seguem centrais para a experiência do paciente.

Por Redação Brazil Health , 09/05/2026

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Saúde digital e humanização avançam para reduzir falhas e insegurança no atendimento

A digitalização do atendimento em saúde tem avançado no Brasil com a promessa de resolver um problema comum para quem precisa de cuidados: a falta de continuidade entre consultas, exames, serviços e equipes. A ideia é que ferramentas digitais ajudem a integrar informações e orientar o paciente ao longo da jornada, reduzindo falhas de comunicação e riscos à segurança.

Especialistas apontam que a qualidade do cuidado hoje vai além do resultado clínico. Passa também pela experiência do paciente, pela coordenação entre profissionais, pela segurança e pela participação nas decisões sobre o próprio tratamento.

Nesse cenário, a inteligência artificial (IA) começa a ser incorporada como apoio a tarefas como organização de fluxos, documentação e comunicação. A recomendação, porém, é que esse uso seja transparente, com consentimento e supervisão humana, para evitar decisões automatizadas sem contexto.

IA ajuda, mas não substitui o médico

Para o médico radiologista Harley De Nicola, superintendente da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), a tecnologia pode facilitar processos, mas o vínculo com o profissional segue decisivo para combater a desinformação e melhorar a adesão ao tratamento. “Quando o paciente se sente ouvido e respeitado, ele tende a buscar menos informações externas confusas e aderir melhor ao que foi orientado”, afirma.

A avaliação é que, mesmo com ganhos de agilidade, o tempo continua sendo um dos principais gargalos, especialmente em hospitais públicos. Por isso, medidas simples e de alto impacto, como comunicação objetiva, trabalho em equipe e padronização de processos, podem influenciar diretamente a segurança e a percepção do atendimento.

O que muda na prática para o paciente

Entre os pontos associados à humanização estão garantir que a pessoa entenda o diagnóstico e o plano terapêutico, com expectativas alinhadas e acompanhamento contínuo. Isso inclui reduzir barreiras de acesso e adaptar a comunicação ao nível de letramento em saúde, usando linguagem simples e reforçando orientações.

Também entram nessa conta fatores práticos que costumam atrapalhar o cuidado, como muitas etapas no atendimento, dificuldades de transporte, custos e falta de apoio familiar. A proposta, segundo o release, é simplificar caminhos e evitar que o paciente “se perca” entre serviços.

De paciente passivo a participante do cuidado

Nos últimos anos, a jornada do paciente tem migrado de um modelo centrado apenas na doença para outro mais focado na pessoa e em sua experiência. “O paciente deixou de ocupar um papel passivo e passou a participar mais ativamente das decisões, enquanto o médico assumiu uma função mais comunicadora e integradora do cuidado. Nesse processo, a tecnologia passou a apoiar o atendimento, sem substituir o valor essencial da relação humana”, diz De Nicola.