Angiologia

Protocolo orienta radiologistas a comunicar suspeita de câncer após exames de imagem

Modelo brasileiro publicado em revista científica propõe passos para conversas difíceis, em um cenário em que o especialista muitas vezes não conhece o paciente e precisa falar com pouco tempo.

Por Redação Brazil Health , 28/03/2026

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Protocolo orienta radiologistas a comunicar suspeita de câncer após exames de imagem

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um protocolo para ajudar radiologistas a dar notícias difíceis a pacientes após exames de imagem, como quando surge a suspeita de câncer. A proposta, chamada RADNEWS, foi descrita em um artigo publicado na revista científica Radiographics, da Radiological Society of North America (RSNA).

O tema é relevante porque o radiologista está, com frequência, entre os primeiros médicos a identificar achados potencialmente graves em exames. Ao mesmo tempo, a formação na área tende a priorizar aspectos técnicos, o que pode deixar em segundo plano habilidades de comunicação necessárias em situações emocionalmente sensíveis.

Segundo os autores, há um desafio particular na radiologia: muitas vezes o especialista precisa comunicar um resultado preocupante em um único encontro, sem vínculo prévio com o paciente e com tempo limitado para explicar o contexto e orientar os próximos passos.

“O radiologista frequentemente é o primeiro médico a identificar um achado suspeito em um exame de imagem. Nesse momento, é fundamental conseguir traduzir uma informação técnica em uma conversa clara, acolhedora e orientada para os próximos passos do cuidado”, afirma a radiologista Natália Ceccaroni Orthmann, uma das autoras do estudo.

Sete etapas para organizar a conversa

O RADNEWS reúne sete etapas para estruturar o atendimento, desde a preparação até o acolhimento das reações do paciente. Entre os pontos citados estão revisar previamente o contexto clínico, explicar o exame em linguagem acessível, comunicar o resultado com clareza, abrir espaço para perguntas e indicar como será o acompanhamento.

“O objetivo do protocolo é oferecer um ponto de partida para que radiologistas consigam estruturar essas conversas de forma mais humana. Pequenas atitudes, como explicar o exame com calma, validar as emoções do paciente e esclarecer os próximos passos, podem fazer uma grande diferença na forma como essa notícia é recebida”, diz Orthmann.

Impacto na ansiedade e na compreensão

Os pesquisadores destacam que a forma de transmitir a informação pode influenciar diretamente a experiência do paciente. Diante de achados suspeitos ou diagnósticos graves, reações como choque, medo e tristeza são comuns, exigindo sensibilidade e preparo do profissional.

A discussão ganha peso em áreas como a radiologia mamária. Exames podem apontar alterações que ainda precisam de confirmação, como quando há indicação de biópsia, e a comunicação nessa fase pode afetar a ansiedade e a compreensão do que está acontecendo.

Debate em evento de radiologia em 2026

O assunto será tema de uma aula na Jornada Paulista de Radiologia 2026, em 30 de abril, em São Paulo. A apresentação, ministrada por Orthmann, vai abordar a aplicação prática do protocolo e os desafios de preparar radiologistas para conversas difíceis no dia a dia.