Angiologia

Estudo Holandes Mostra que IA com Radiologistas Aumenta Detecao do Câncer de Mama em 8,4%

Novo método une médicos e tecnologia para antecipar diagnósticos e ampliar chances de cura, segundo pesquisa realizada na Holanda.

Por Redação Brazil Health , 21/10/2025

3 min de leitura

Estudo Holandes Mostra que IA com Radiologistas Aumenta Detecao do Câncer de Mama em 8,4%

Pesquisa holandesa com mais de 42 mil exames indica que combinar inteligência artificial com radiologistas aumenta achados de tumores e pode reduzir a sobrecarga nos serviços

Um estudo feito na Holanda pode mudar a rotina do rastreamento do câncer de mama. Ao analisar 42.236 mamografias do programa nacional, pesquisadores mostraram que a combinação entre radiologista e inteligência artificial (IA) aumentou a detecção de tumores em relação ao método tradicional.

Como o estudo foi feito

Entre 2016 e 2018, quatro estratégias de leitura de mamografias foram comparadas:

  • Leitura humana única;
  • Leitura humana dupla (padrão atual em vários países europeus);
  • IA sozinha;
  • Radiologista + IA como segunda leitora.

O resultado mais promissor veio do time humano + IA: a detecção de câncer aumentou 8,4% em relação à dupla leitura feita apenas por radiologistas. Muitos dos tumores apontados pela IA eram invasivos ou maiores que 20 mm — lesões que poderiam evoluir antes de serem identificadas pelos métodos atuais.

Segundo o médico radiologista Felipe Roth Vargas, que analisou os achados, “a IA não deve substituir os radiologistas, mas atuar como uma ‘segunda opinião’ capaz de identificar tumores que poderiam passar despercebidos”.

Ganhos e desafios

O estudo também indica que a IA manteve bom desempenho em mulheres com alta densidade mamária — um cenário em que a leitura é mais difícil. Ao mesmo tempo, houve aumento na taxa de recall, quando a paciente é chamada para exames complementares.

Para evitar sobrecarga e ansiedade desnecessária, os autores defendem critérios claros de uso. “Isso exige protocolos claros para evitar sobrecarga no sistema de saúde e ansiedade desnecessária nas mulheres”, alertam os pesquisadores.

Os resultados, porém, precisam ser testados em diferentes realidades, já que a qualidade dos equipamentos e a organização dos programas variam entre países.

E o que muda no Brasil

No Brasil, a cobertura do rastreamento mamográfico no SUS não passa de 25% do público-alvo, distante da meta de 70% sugerida pela Organização Mundial da Saúde. A oferta desigual de exames, a falta de estrutura e a ausência de programas organizados são entraves conhecidos.

Para Vargas, a tecnologia pode ajudar, desde que venha com investimento e planejamento. “Se bem aplicada, a tecnologia pode ser um passo importante para que mais mulheres tenham acesso a um diagnóstico precoce e preciso”, afirma. Ele reforça que a prioridade é integrar a inovação ao caminho do cuidado, do agendamento ao laudo. “É uma ferramenta que pode salvar vidas, mas que exige responsabilidade e integração aos sistemas de saúde.”

O recado central do trabalho holandês é que a IA pode ampliar a segurança do rastreamento e aliviar a carga de trabalho — sem abrir mão do olhar do especialista. A combinação entre experiência clínica e tecnologia tende a acelerar o diagnóstico e a melhorar o atendimento.