Queda da Fertilidade

Crise Global de Fertilidade: Desafios e Caminhos para o Futuro da Sociedade Brasileira

Mundo e Brasil vivem redução inédita na taxa de nascimentos, tendência que pode transformar sociedades, economia e saúde pública nas próximas décadas.

Por Redação Brazil Health , 01/10/2025

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Crise Global de Fertilidade: Desafios e Caminhos para o Futuro da Sociedade Brasileira

O mundo está passando por uma transformação silenciosa: nunca nasceram tão poucas crianças como agora. De acordo com a Organização das Nações Unidas, mais de dois terços da população global já vive em países com taxa de fecundidade abaixo do nível necessário para manter o tamanho da população, considerado de 2,1 filhos por mulher. O Brasil já sente esse impacto: atualmente, a taxa nacional é de apenas 1,55 filho, o menor índice da história.

Barreiras modernas dificultam o desejo de ter filhos

Essa queda não é resultado de uma vontade simples de ter menos filhos, mas de barreiras cada vez mais complexas. Segundo pesquisa da ONU, 39% das pessoas evitam a maternidade ou paternidade devido à insegurança financeira; 21% têm medo de perder o emprego; e 19% se preocupam com o alto custo de moradia. "Fatores como crises climáticas, conflitos armados, pandemias e desigualdade de gênero aumentam o receio quanto ao futuro e afetam diretamente os projetos reprodutivos da população", afirma o ginecologista e especialista em reprodução assistida Dani Ejzenberg.

No Brasil, estados como o Rio de Janeiro têm taxas de fecundidade tão baixas quanto países que enfrentam envelhecimento acelerado, como Japão e Itália. Projeções do IBGE indicam que, a partir de 2042, a população brasileira deixará de crescer. Em 2070, um terço dos brasileiros terá 60 anos ou mais, mudando o perfil demográfico do país.

Os desafios da reprodução assistida e fatores que afetam a fertilidade

Para quem deseja ter filhos, a decisão de esperar pode ter efeito direto nas possibilidades de concretizar esse desejo. "O adiamento da maternidade — motivado por carreira, estabilidade financeira ou falta de parceiro — é legítimo, mas exige informação precisa sobre os limites do corpo e as opções disponíveis para preservar a fertilidade", explica Ejzenberg.

Entre as alternativas, o congelamento de óvulos ou embriões tem ganhado destaque como estratégia segura e eficaz, recomendada por sociedades internacionais de medicina reprodutiva. No entanto, o médico alerta que o acesso ainda é restrito: "O acesso a essa tecnologia ainda é limitado por falta de informação, custos envolvidos e ausência de cobertura universal pelo sistema público."

Além disso, cresce a preocupação com os diversos fatores que impactam diretamente a fertilidade de homens e mulheres. "A poluição do ar, o tabagismo, o estresse crônico, os distúrbios metabólicos como a obesidade, o consumo excessivo de álcool e alimentos ultraprocessados e o avanço da idade reprodutiva estão entre os fatores que mais impactam a saúde reprodutiva", ressalta Ejzenberg.

Consequências econômicas e sociais no horizonte

Especialistas alertam para o risco de um desequilíbrio profundo nos sistemas econômico e social. O Brasil pode enfrentar, em poucas décadas, o paradoxo de uma população envelhecida — que demanda mais serviços de saúde e previdência — e uma juventude proporcionalmente menor. "Ignorar esses sinais pode comprometer não apenas os planos familiares individuais, mas a própria sustentabilidade econômica e previdenciária do país", enfatiza Ejzenberg.

Para ele, é fundamental transformar a discussão sobre fertilidade em uma pauta de toda a sociedade. Isso passa por ações de educação pública sobre a fertilidade, ampliação do acesso às tecnologias reprodutivas e políticas de apoio psicológico e financeiro às famílias. "A fertilidade cada vez mais será abordada como um tema da sociedade e não apenas como um objeto de debate individual", conclui o especialista.