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Transtorno bipolar tem controle e tratamento; entenda sinais e riscos das crises

Condição vai além de “mudança de humor” do dia a dia e pode afetar sono, trabalho e relações. O psiquiatra Rubens de Campos Filho explica como reconhecer mania, hipomania e depressão.

Por Redação Brazil Health , 29/06/2026

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Transtorno bipolar tem controle e tratamento; entenda sinais e riscos das crises

O transtorno bipolar ainda é cercado de dúvidas e confusões, mas não se resume a oscilações comuns de humor. Trata-se de uma condição de saúde mental marcada por episódios mais intensos e delimitados, capazes de interferir de forma importante na vida emocional, social e profissional.

O psiquiatra Rubens de Campos Filho afirma que essas mudanças acontecem em fases específicas, que variam entre períodos de energia muito alta e momentos de rebaixamento do humor. “Não são variações leves do cotidiano: são episódios que podem alterar o comportamento, a rotina e a capacidade de tomar decisões”, explica.

Entre as fases de maior energia está a mania, quando a pessoa pode ficar muito entusiasmada, agitada ou irritada. É comum dormir pouco e, ainda assim, não se sentir cansada. Pensamentos acelerados, fala mais rápida e o impulso de começar várias atividades ao mesmo tempo também aparecem com frequência — muitas vezes sem conseguir concluir o que foi iniciado.

Nesse período, a impulsividade pode aumentar, levando a escolhas precipitadas, como gastos excessivos e atitudes de risco. Esses comportamentos podem trazer consequências financeiras, sociais e até legais, especialmente quando não há acompanhamento adequado.

Há também a hipomania, considerada uma forma mais leve da mania. Os sinais são parecidos, mas menos intensos — e por isso podem passar despercebidos. Em alguns casos, a pessoa chega a interpretar a fase como algo positivo, por se sentir mais produtiva e confiante, o que pode atrasar a procura por ajuda.

Na outra ponta do quadro estão os episódios depressivos. Neles, podem surgir tristeza profunda, desânimo e perda de interesse por atividades antes prazerosas. Cansaço constante, dificuldade de concentração e mudanças no sono e no apetite também são queixas comuns.

Sentimentos de culpa, inutilidade e desesperança podem aparecer e, em situações mais graves, pensamentos negativos persistentes exigem atenção imediata. Rubens de Campos Filho alerta que qualquer sinal de piora intensa ou risco deve ser levado a sério e encaminhado para avaliação profissional o quanto antes.

Mania, hipomania e depressão: como diferenciar

  • Mania: humor muito elevado ou irritável, energia muito aumentada, pouca necessidade de sono, pensamento acelerado, comportamento impulsivo e de risco; costuma causar alto prejuízo na vida diária.
  • Hipomania: humor elevado ou levemente irritável, energia aumentada, menor necessidade de sono, pensamento mais rápido que o habitual e maior atividade, geralmente com pouco ou nenhum prejuízo funcional — o que pode dificultar a percepção do problema.
  • Depressão: tristeza ou desânimo, energia reduzida, sono em excesso ou com dificuldade, pensamento mais lento e desmotivação; o impacto pode variar de moderado a alto.

Quando não é tratado de forma adequada, o transtorno bipolar pode gerar um efeito dominó. Nos relacionamentos, oscilações podem provocar conflitos, mal-entendidos e desgaste emocional. No trabalho e nos estudos, a instabilidade tende a atrapalhar a organização, o cumprimento de responsabilidades e a manutenção de uma rotina.

O sono, frequentemente afetado durante as crises, pode agravar ainda mais o desequilíbrio quando não está regulado. Por isso, reconhecer padrões e buscar acompanhamento são passos centrais para reduzir recaídas e limitar danos.

O diagnóstico nem sempre é rápido. Muitas pessoas procuram ajuda apenas durante a fase depressiva, o que pode levar a uma leitura incompleta do histórico. Em outros casos, as oscilações são interpretadas como “traços de personalidade” ou reações a dificuldades da vida, atrasando a identificação do transtorno.

Para o especialista, avaliar a trajetória ao longo do tempo é essencial. “O histórico completo, com atenção aos episódios anteriores e ao funcionamento da pessoa em cada fase, é o que permite maior precisão”, destaca Rubens de Campos Filho.

Apesar dos desafios, a condição tem tratamento. O acompanhamento psiquiátrico é importante para definir condutas e, quando indicado, usar medicamentos que ajudam a estabilizar o humor e reduzir frequência e intensidade das crises. A psicoterapia também pode contribuir ao ampliar o autoconhecimento, melhorar estratégias para lidar com sintomas e fortalecer relações interpessoais.

Com informação, apoio e cuidado adequado, é possível conviver com o transtorno bipolar com mais equilíbrio e qualidade de vida — e falar sobre o tema com clareza ajuda a reduzir preconceitos e estimular a busca por ajuda.