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Transtorno bipolar pode levar até 10 anos para ser diagnosticado, alertam especialistas

Como os primeiros sintomas costumam parecer depressão, muita gente passa anos em tratamentos que não resolvem o problema e enfrenta piora na qualidade de vida.

Por Redação Brazil Health , 17/04/2026

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Transtorno bipolar pode levar até 10 anos para ser diagnosticado, alertam especialistas

Pessoas com transtorno bipolar podem esperar até uma década para receber o diagnóstico correto, segundo dados frequentes em estudos internacionais. O atraso importa porque a condição exige um manejo específico e acompanhamento contínuo; sem isso, o paciente pode permanecer por anos em abordagens pouco eficazes, com impacto na vida social, no trabalho e nas relações.

O transtorno bipolar é marcado por mudanças cíclicas de humor, alternando episódios de depressão com fases de elevação do humor, como mania ou hipomania. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 37 milhões de pessoas vivam com o problema no mundo, o equivalente a aproximadamente 0,5% da população, número que pode estar subestimado por subdiagnóstico.

Quando a bipolaridade se parece com depressão

Um dos principais motivos para o diagnóstico tardio é que, em muitos casos, a doença começa com episódios depressivos. Sem uma investigação cuidadosa, esses quadros podem ser classificados como depressão “comum”, o que direciona o tratamento para estratégias que não consideram a alternância de fases típica da bipolaridade.

“Quando a bipolaridade não é identificada precocemente, o paciente pode permanecer por anos em tratamentos pouco efetivos. Isso prolonga o sofrimento e pode contribuir para a piora do curso da doença ao longo do tempo”, afirma o psiquiatra Edson Kruger Batista, da ViV Saúde Mental e Emocional.

Hipomania nem sempre é reconhecida

Outro desafio é que nem todos os pacientes apresentam episódios claros de mania. Em quadros de hipomania, por exemplo, a pessoa pode relatar períodos de mais energia e produtividade, o que pode ser interpretado como bem-estar, e não como sintoma que precisa ser avaliado.

Além disso, há diferentes apresentações clínicas, como transtorno bipolar tipo I e tipo II, e manifestações dentro do chamado espectro bipolar. “O diagnóstico não se baseia em um episódio isolado, mas na análise da trajetória do paciente ao longo do tempo. Sem essa reconstrução, aumenta o risco de confusão com outros transtornos, como depressão ou ansiedade”, diz Batista.

Barreiras de acesso e estigma agravam o problema

Especialistas apontam que estigma, desinformação e dificuldade de acesso a serviços especializados também contribuem para que parte dos pacientes não receba diagnóstico e tratamento adequados. O resultado pode ser um ciclo de instabilidade, com prejuízos para a qualidade de vida e maior risco de agravamento dos episódios.

O tratamento costuma envolver acompanhamento contínuo, com combinação de medicação, psicoterapia e monitoramento ao longo do tempo. Para Batista, o ponto central é encurtar o caminho até a identificação correta: “O principal ganho está em reduzir o tempo até o diagnóstico correto. Esse é o ponto de inflexão que muda a trajetória do paciente.”