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Redes sociais e automedicação aumentam risco de intoxicação e morte, alertam especialistas

Com o Brasil entre os maiores consumidores de remédios, especialistas alertam que conteúdos repetidos por influenciadores e buscas por soluções rápidas podem levar a uso sem orientação, interações perigosas e atrasos no diagnóstico.

Por Redação Brazil Health , 09/05/2026

3 min de leitura

Redes sociais e automedicação aumentam risco de intoxicação e morte, alertam especialistas

O Brasil está entre os maiores consumidores de medicamentos do mundo e enfrenta um problema persistente: a automedicação. Levantamentos de entidades do setor e de pesquisa apontam que mais de 90% dos brasileiros admitem usar remédios por conta própria, prática associada a cerca de 20 mil mortes por ano e a um aumento de internações por intoxicação medicamentosa.

O tema ganha destaque no Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, que chama atenção para o uso seguro e para a importância de orientação profissional. Nos últimos anos, médicos e serviços de emergência têm observado mudanças no perfil do uso inadequado, com maior presença de ansiolíticos, antidepressivos e combinações de fármacos com produtos naturais, além de analgésicos e antitérmicos, historicamente mais comuns.

Parte desse comportamento é atribuída ao que especialistas têm chamado de “tiktokização” da saúde – quando algoritmos e influenciadores passam a pautar condutas e estimular o consumo de medicamentos, suplementos ou “protocolos” sem avaliação individual e sem base científica.

Quando a repetição vira “prova”

Para a psiquiatra e professora Cláudia Ketter, da Afya Educação Médica São Paulo, as redes sociais podem favorecer um mecanismo conhecido como “verdade ilusória”, no qual a repetição de uma informação aumenta a sensação de que ela é correta. “As falsas relações com influenciadores criam um vínculo de confiança não recíproco, porém psicologicamente potente, oferecendo respostas imediatistas e simplificadas”, afirma.

Esse cenário também se conecta ao aumento do uso de ferramentas digitais para dúvidas de saúde. Pesquisa conduzida por Afya e Conexa indica que 49% dos pacientes já recorrem à inteligência artificial para lidar com questões relacionadas ao tema, um sinal de que muitas decisões estão sendo tomadas fora do consultório.

Riscos vão além do efeito colateral

Especialistas alertam que a automedicação pode mascarar sintomas e atrasar diagnósticos, além de ampliar o risco de interações medicamentosas e de doses inadequadas. “Há evidências culturais de baixa tolerância ao sofrimento e maior busca por alívio imediato, reforçada pela tecnologia digital que oferece uma gratificação instantânea”, diz Ketter.

Medicamento não é resposta para tudo

Na avaliação da psiquiatra, é preciso fortalecer a relação médico–paciente e diferenciar o que é sofrimento cotidiano do que exige tratamento específico. “As experiências da vivência cotidiana humana como tristeza, raiva, luto, frustração, ansiedade e reatividade situacional estão sendo patologizadas. Precisamos reforçar que o medicamento é uma ferramenta, não uma solução universal para a vida”, conclui.