Cirurgia Oncológica

Separar amigos na escola: como ajudar seu filho a lidar com a mudança

Psicóloga orienta pais a acolher frustrações do início das aulas e indica sinais de alerta para buscar apoio

Por Redação Brazil Health , 12/02/2026

3 min de leitura

Separar amigos na escola: como ajudar seu filho a lidar com a mudança

Com a volta às aulas, a definição das turmas traz apreensão para muitas famílias. Quando a criança descobre que não ficará na mesma classe do melhor amigo, frustração e insegurança podem surgir. Especialistas afirmam que, com suporte adequado, a situação pode contribuir para o amadurecimento emocional.

“Nem toda frustração é um problema a ser corrigido. Muitas fazem parte do desenvolvimento emocional”, diz Karen Scavacini, psicóloga, doutora em psicologia pela USP e fundadora do Instituto Vita Alere.

Como acolher sem superproteger

Segundo Scavacini, o papel dos adultos é ajudar a criança a compreender e atravessar esse momento com segurança. “Acolher o sentimento, sem minimizar nem dramatizar, é fundamental. Dizer que ‘não é nada’ pode invalidar a experiência da criança, assim como tentar resolver tudo por ela pode impedir que desenvolva recursos próprios”, afirma.

Na prática, responsáveis podem adotar estratégias simples para facilitar a adaptação:

  • Ouvir e nomear o que a criança sente, validando a frustração sem transformá-la em crise.
  • Explicar de forma clara como as turmas são formadas e por que mudanças acontecem.
  • Manter a rotina e combinar momentos de convivência com o amigo no recreio ou após a aula.
  • Estimular novas amizades e atividades que ampliem repertórios sociais.
  • Conversar com a escola se houver dificuldades persistentes na adaptação.

Não estar na mesma turma não significa perda de vínculos. “Amizades podem ser mantidas fora da sala de aula, enquanto novas relações se constroem. Esse equilíbrio favorece autonomia, flexibilidade emocional e adaptação social”, diz a psicóloga.

Quando buscar ajuda

Apesar de natural, o desconforto inicial deve diminuir com o tempo. Sinais de alerta pedem atenção e diálogo com a escola:

  • Mudanças persistentes de humor ou comportamento em casa.
  • Recusa prolongada em ir à escola ou queixas frequentes antes das aulas.
  • Queixas físicas recorrentes sem causa médica identificada.
  • Isolamento social, choro constante ou perda de interesse por atividades.
  • Sofrimento que se estende além das primeiras semanas de adaptação.

“Nesses casos, vale conversar com a escola e, se necessário, buscar orientação profissional”, orienta Scavacini.

Para pais e responsáveis, o desafio é encontrar o meio-termo entre acolher e superproteger. “A função do adulto não é eliminar desconfortos, mas oferecer suporte para que a criança desenvolva segurança emocional ao lidar com eles”, conclui.