Cirurgia Oncológica

Dificuldade de dizer não pode manter mulheres em relações abusivas, alertam especialistas

Com alta nos registros de feminicídio, psicólogo explica como controle e humilhações minam a autoestima e dificultam o rompimento; redes de apoio e ajuda profissional são caminhos para reduzir riscos.

Por Redação Brazil Health , 12/06/2026

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Dificuldade de dizer não pode manter mulheres em relações abusivas, alertam especialistas

O aumento da violência contra a mulher e dos casos de feminicídio no Brasil reforça um ponto de atenção que, muitas vezes, aparece bem antes das agressões físicas: a dificuldade de impor limites e dizer “não”, o que pode prolongar relações abusivas e aumentar a vulnerabilidade da vítima.

Para o psicólogo Paulo Zago Neto, o ciclo costuma se instalar de forma gradual, com comportamentos de controle, desvalorização e isolamento social, além de ataques constantes à autoestima. “Para o cérebro humano, processar o medo da rejeição é um dos desafios mais complexos, assemelhando-se muitas vezes à experiência de dor física”, afirma.

Segundo ele, após sucessivas humilhações e manobras manipulativas, muitas mulheres passam a acreditar que não merecem um tratamento melhor e que não conseguiriam recomeçar. “Ao subestimarem seu próprio valor, tornam-se propensas a aceitar migalhas afetivas, convencendo-se de que é impossível encontrar um novo companheiro ou recomeçar”, diz.

Por que é tão difícil sair

O especialista aponta que a permanência no relacionamento tende a aumentar o risco de agravamento da violência. Entre os fatores que mais dificultam o rompimento estão dependência emocional e financeira, medo de represálias, preocupação com os filhos, falta de apoio familiar, baixa autoestima, histórico de violência na família, medo da solidão, além do julgamento social e de interpretações religiosas distorcidas.

Traumas de infância, como rejeição ou abandono, também podem influenciar, ao reforçar o medo de que o fim da relação seja mais doloroso do que permanecer em uma dinâmica de sofrimento.

Dados recentes de feminicídio

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que, nos três primeiros meses de 2026, o Brasil registrou em média um feminicídio a cada 5 horas e 25 minutos. O número representa aumento de 7,55% em comparação com o primeiro trimestre de 2025 e é descrito como o maior desde 2015.

O que pode ajudar a romper o ciclo

Zago Neto destaca que o primeiro posicionamento costuma ser o mais difícil, por envolver culpa, medo e insegurança, mas pode ser decisivo para preservar a saúde emocional e a segurança. Algumas ações que podem contribuir para retomar o controle incluem:

  • reconhecer sinais de abuso e controle;
  • buscar apoio psicológico especializado;
  • reconstruir a autoestima e estabelecer limites;
  • reativar vínculos com familiares e amigos de confiança;
  • planejar autonomia financeira;
  • procurar orientação jurídica e redes de proteção;
  • denunciar situações de violência.

Especialistas lembram que pedir ajuda não é sinal de fraqueza: é uma medida de proteção. Em caso de risco imediato, a orientação é buscar uma rede de apoio e acionar os serviços de segurança e atendimento disponíveis na cidade.